De acordo com Iamamoto (2008), a relação que o assistente social estabelece com o seu objeto de trabalho – as múltiplas expressões da questão social – depende:
- A)do prévio recorte das políticas definidas pelos organismos empregadores, que estabelecem demandas e prioridades a serem atendidas;
Certa, porque Iamamoto destaca que a relação com o objeto de trabalho é condicionada pelos recortes, demandas e prioridades definidos pela instituição empregadora.
- B)da autonomia para construir o seu processo de trabalho a partir da análise da realidade realizada com instrumental próprio da profissão;
Errada, porque fala em autonomia para construir livremente o processo de trabalho, mas a autora enfatiza autonomia relativa, e não plena liberdade profissional.
- C)de rebatimentos da gestão organizacional do trabalho na sua divisão técnica e social que determinam a sua condição de assalariamento;
Errada, porque trata do assalariamento e da divisão técnica do trabalho, que são aspectos reais, mas não respondem diretamente ao enunciado sobre a relação com o objeto de trabalho.
- D)de processos de planejamento e escolha dos instrumentos e equipamentos de trabalho que serão utilizados mediante referencial teórico-metodológico;
Errada, porque reduz a questão à escolha de instrumentos e ao referencial teórico-metodológico, quando o ponto central é a determinação institucional sobre o trabalho.
- E)da correlação de forças e das relações de poder presentes no espaço sócio-ocupacional, independente da área ou campo de atuação no qual ocorre.
Errada, porque a correlação de forças no espaço sócio-ocupacional influencia a prática, mas a assertiva generaliza e não expressa o núcleo conceitual pedido por Iamamoto.
Gabarito: A
Iamamoto trabalha a ideia de que o Serviço Social não atua no vazio: o assistente social vende sua força de trabalho e entra numa instituição que já vem com objetivos, limites, recursos e prioridades definidos. Por isso, a relação com o objeto de trabalho, isto é, as múltiplas expressões da questão social, não nasce apenas da vontade individual do profissional. Na prática, isso significa que o modo de olhar, recortar e enfrentar as demandas sociais sofre influência direta do projeto e das determinações do organismo empregador. O profissional tem autonomia relativa, e não autonomia absoluta. Essa é a chave da questão: ele não escolhe livremente tudo o que vai fazer, porque atua dentro de uma divisão social e técnica do trabalho. O item A está correto porque traduz exatamente essa dependência do recorte institucional das políticas e prioridades definidas pelo empregador. Em Iamamoto (2008), a profissão é entendida como trabalho assalariado, inserido em relações de compra e venda da força de trabalho, o que condiciona o processo de trabalho do assistente social. Já as demais alternativas exageram a autonomia profissional ou deslocam o foco para elementos que, embora existam no cotidiano, não explicam o ponto central da autora. Em resumo: a profissão tem projeto ético-político, mas ele se realiza em condições concretas e nem sempre confortáveis. O crachá ajuda, mas não faz milagre.