Goin (2024) avalia que, a partir da sétima década do século XX, uma perspectiva disruptiva emerge nos fundamentos do Serviço Social. Essa perspectiva pode ser entendida como:
- A)o debate sobre o verdadeiro objeto do Serviço Social;
Errada, porque o debate sobre o objeto do Serviço Social é importante, mas não expressa diretamente a perspectiva disruptiva indicada no enunciado.
- B)a modernização conservadora nas instituições sociais por meio das políticas sociais;
Errada, porque modernização conservadora reforça a adaptação institucional, não a ruptura crítica que surge nesse período.
- C)a hegemonia da teoria sobre a prática;
Errada, porque a ideia não é afirmar hegemonia da teoria sobre a prática, e sim uma mudança de base teórico-metodológica da profissão.
- D)a transição da perspectiva instrumental para a dialética;
Certa, porque expressa a passagem de uma visão instrumental e tecnicista para uma abordagem dialética e crítica nos fundamentos do Serviço Social.
- E)o estabelecimento do divisionismo metodológico nas disciplinas de formação profissional.
Errada, porque divisionismo metodológico não corresponde ao movimento de renovação crítica citado por Goin, mas a uma formulação alheia a essa virada histórica.
Gabarito: D
A partir da sétima década do século XX, o Serviço Social brasileiro entra num momento de virada crítica. Em vez de ficar preso a uma atuação meramente instrumental, voltada só para aplicar técnicas e ajustar pessoas à ordem social, começa a ganhar força uma leitura mais crítica da realidade, com base na dialética e na compreensão das contradições sociais. Em outras palavras: o profissional passa a olhar mais para a sociedade concreta e menos para uma prática só de execução. É nesse contexto que Goin (2024) fala em perspectiva disruptiva nos fundamentos do Serviço Social. Disruptiva porque rompe com a tradição anterior, especialmente com a lógica conservadora e positivista que marcou boa parte da institucionalização da profissão. A mudança não foi só de linguagem, mas de fundamento: a prática deixa de ser vista como algo neutro e passa a ser entendida como parte de um processo histórico e social mais amplo. Por isso, o gabarito é a letra D. A alternativa traduz justamente essa passagem da perspectiva instrumental para a dialética, que marca a renovação crítica do Serviço Social na década de 1970. Esse movimento dialoga com o processo de reconceituação e com a influência do marxismo na leitura da questão social, tema muito cobrado em concurso. Em resumo: se a banca falar em ruptura, crítica, dialética e superação do tecnicismo, você deve acender a luz amarela. O Serviço Social deixa de ser só "fazer" e passa também a "explicar" e "questionar".