Ao analisar a nova morfologia do trabalho no Serviço Social, Raichelis (2018) afirma que, no âmbito do mercado de trabalho, observa-se a ampliação de processos de:
- A)empregabilidade segmentada, a partir de especializações específicas;
Errada, porque o foco da autora não é a ampliação de empregabilidade por especializações, mas sim a precarização e a fragmentação dos vínculos de trabalho.
- B)subcontratação de serviços individuais;
Certa, pois Raichelis destaca a expansão da subcontratação de serviços individuais como expressão da flexibilização e precarização do trabalho no Serviço Social.
- C)desemprego estrutural, dado o enxugamento das políticas sociais;
Errada, porque a questão trata da morfologia do trabalho e das formas de contratação, não de um suposto enxugamento das políticas sociais como causa direta do fenômeno.
- D)exponenciação de concursos para terceirizados;
Errada, porque a ideia de concursos para terceirizados não faz sentido no debate da autora e contradiz a lógica de terceirização e precarização.
- E)requisição de gestores sociais.
Errada, porque a ampliação da requisição de gestores sociais não é o ponto central indicado por Raichelis para caracterizar a nova morfologia do trabalho.
Gabarito: B
Raichelis, ao tratar da nova morfologia do trabalho no Serviço Social, mostra que o mercado profissional passou a ser marcado por vínculos mais frágeis, instáveis e flexíveis. Em vez de uma inserção protegida e estável, cresce uma lógica de trabalho fragmentado, com perda de direitos, intensificação do trabalho e maior dependência de contratos precários. Nesse cenário, a ideia central não é a valorização da carreira, mas a ampliação de formas de contratação que desconstroem a relação clássica de emprego. O profissional pode até continuar atuando na mesma área, mas muitas vezes por meio de vínculos indiretos, temporários ou por prestação de serviço, o que reduz proteção social e autonomia real. Por isso, o gabarito é a letra B. A autora aponta a expansão da subcontratação de serviços individuais, isto é, quando o trabalho do assistente social passa a ser adquirido de forma pulverizada, terceirizada ou via prestação individual, em vez de um vínculo estável e direto com a instituição. Isso dialoga com a crítica mais ampla à flexibilização e precarização do trabalho no capitalismo contemporâneo. Em resumo: a nova morfologia do trabalho, nesse contexto, não é uma modernização bonita e organizada, mas um jeito mais elegante de dizer que o trabalho ficou mais instável. Raichelis lê esse processo como parte da reestruturação produtiva e da precarização das relações laborais, algo bastante cobrado em Serviço Social.