Com base no trecho a seguir, extraído do livro Relações Sociais e Serviço Social (Iamamoto e Carvalho, 1982: p.75): “(…) As condições que peculiarizam o exercício profissional são uma concretização da dinâmica das relações sociais vigentes na sociedade, em determinadas conjunturas históricas. Como as classes sociais fundamentais e suas personagens só existem em relação pela mútua mediação entre elas, a atuação do Assistente Social Assistente Social é necessariamente polarizada pelos interesses de tais classes tendendo a ser cooptada por aqueles que têm uma posição dominante(...).” Das afirmações abaixo, a que melhor reflete o significado dessa polarização de interesses no exercício profissional do assistente social é:
- A)A prática do Serviço Social pode responder tanto aos interesses dominantes quanto aos das classes trabalhadoras, em função das tensões e pressões existentes.
Certa, porque reconhece que a prática profissional é atravessada por tensões sociais e pode se orientar por interesses distintos conforme a correlação de forças.
- B)O Serviço Social não reconhece a existência de classes em disputa e se mantém alheio às relações de poder.
Errada, porque o Serviço Social crítico reconhece as classes em disputa e não se mantém alheio às relações de poder.
- C)O Assistente Social atua de forma completamente neutra, sem sofrer qualquer influência das classes sociais.
Errada, porque a ideia de neutralidade absoluta contraria a leitura de Iamamoto e Carvalho sobre a inserção do assistente social na dinâmica social.
- D)O Assistente Social atua exclusivamente para fortalecer as iniciativas das classes dominantes.
Errada, porque a profissão não atua exclusivamente para a classe dominante, embora possa sofrer pressão e cooptação nesse sentido.
- E)O Serviço Social anula qualquer tipo de conflito entre as classes, promovendo sempre a conciliação imediata.
Errada, porque o Serviço Social não elimina o conflito de classes nem produz conciliação imediata; ele atua em meio a essas contradições.
Gabarito: A
A ideia central do trecho de Iamamoto e Carvalho é que o Serviço Social não nasce nem atua no vazio: ele se forma dentro das relações entre classes sociais, em uma sociedade marcada por desigualdades e disputas de interesse. Por isso, o trabalho do assistente social nunca é totalmente neutro, porque ele acontece no meio dessas tensões concretas do cotidiano institucional e social. Quando os autores falam em polarização de interesses, estão dizendo que a profissão pode ser pressionada a atender demandas distintas e até contraditórias. Em muitos casos, há uma tendência de cooptação pelos interesses dominantes, já que as instituições onde o assistente social trabalha geralmente fazem parte da estrutura social existente. Mas isso não significa que ele fique preso a um único lado o tempo todo. É justamente por isso que a letra A faz sentido: a prática profissional pode responder tanto aos interesses dominantes quanto aos interesses das classes trabalhadoras, dependendo das pressões, da correlação de forças e do projeto ético-político assumido na intervenção. Em outras palavras, o assistente social atua em terreno disputado, e não em um campo neutro de paz e amor institucional. Esse entendimento combina com a leitura crítica do Serviço Social brasileiro, especialmente a partir de Iamamoto e Carvalho, que mostram a profissão como produto histórico da questão social e das contradições do capitalismo. Então, cuidado: a banca quer que você perceba a presença do conflito de classes dentro do exercício profissional, e não uma atuação automática, neutra ou exclusivamente alinhada a um polo.