Hortz e Mioto afirmam que continuamos assistindo no trabalho com famílias a uma “reatualização do conservadorismo”, na responsabilização da família pelos cuidados e, com isso, no reforço do papel da mulher pela “falha” nos cuidados, na proteção e na socialização. Assinale a alternativa que está em acordo com a assertiva acima.
- A)O trabalho com famílias numa perspectiva conservadora tende a reforçar papeis hierarquizados de gênero.
Certa, porque expressa o reforço de papéis de gênero hierarquizados no trabalho com famílias de viés conservador.
- B)Esta forma de trabalho condena o retorno dos papéis típicos da família nuclear patriarcal.
Errada, porque não se trata de condenar o retorno da família nuclear patriarcal, mas de criticar a reprodução dessa lógica.
- C)Esta metodologia garante relações igualitárias entre homens e mulheres no cuidado aos membros da família.
Errada, porque a assertiva aponta justamente o contrário: não há garantia de igualdade nas relações de cuidado.
- D)Estado e família partilham igualmente os cuidados com seus membros.
Errada, porque a responsabilização não é repartida igualmente entre Estado e família; ao contrário, costuma recair sobre a família, especialmente sobre a mulher.
- E)Esta perspectiva retira a centralidade da figura da mulher como cuidadora.
Errada, porque a crítica é exatamente à manutenção da centralidade da mulher como cuidadora.
Gabarito: A
A questão trata da crítica, muito presente no Serviço Social, ao trabalho com famílias quando ele é feito de modo conservador. Nessa leitura, em vez de dividir responsabilidades entre Estado, sociedade e família, joga-se quase tudo no colo da família e, pior, costuma-se colocar a mulher como a principal ou única responsável pelos cuidados, pela proteção e pela socialização das crianças e dos demais membros. Hortz e Mioto chamam isso de “reatualização do conservadorismo” porque reaparece uma visão tradicional da família, como se houvesse um modelo natural e ideal de organização: homem em posição de autoridade e mulher como cuidadora por excelência. Quando algo falha, a cobrança recai sobre ela, como se o cuidado fosse uma obrigação moral feminina e não uma responsabilidade social compartilhada. Por isso, a alternativa correta é a A. Ela identifica exatamente esse efeito do trabalho com famílias numa perspectiva conservadora: reforço de papéis hierarquizados de gênero. Em vez de enfrentar desigualdades, essa abordagem as reproduz com cara de modernidade, o que a banca adora fazer parecer “sutil”, mas não engana quem estuda a crítica da proteção social. Na política de assistência e na proteção social, a lógica contemporânea aponta para corresponsabilidade entre Estado, família e sociedade, como aparece na CF/88 e na LOAS, e não para a naturalização da mulher como cuidadora exclusiva. Quando o cuidado vira “problema da mãe”, a rede falha e o velho conservadorismo volta pela porta da frente.