Para muitos autores vinculados à matriz crítica do pensamento social, o Código de Ética do Serviço Social de 1986 é considerado como um divisor de águas, porque
- A)estabelece a igualdade entre ética e moral nas ações de intervenção profissional.
Errada, porque o Código não iguala ética e moral; ele justamente diferencia uma reflexão ética crítica de simples regras morais de conduta.
- B)assume a função de normatizar as condutas profissionais por meio de uma absolutização de valores.
Errada, porque não há absolutização de valores, e sim superação da postura moralista e conservadora que antes marcava a profissão.
- C)rompe com concepções éticas imutáveis e abstratas, idealistas e metafisicas de bem comum e pessoa humana.
Certa, porque expressa a ruptura com concepções éticas abstratas, idealistas e metafísicas, marco do processo de renovação do Serviço Social.
- D)descarta os fundamentos ontológicos do ser social como a base de constituição das capacidades humanas.
Errada, porque o código não descarta fundamentos ontológicos do ser social; ao contrário, a matriz crítica passa a considerar a realidade social concreta.
- E)remete ao caráter normativo e jurídico que regulamentam a profissão no que concerne às implicações éticas de sua ação.
Errada, porque o foco não é apenas o caráter normativo e jurídico da profissão, mas a mudança de base ética e política que redefine seu projeto profissional.
Gabarito: C
O Código de Ética do Serviço Social de 1986 é visto como um divisor de águas porque marca a ruptura com a tradição conservadora que dominava a profissão até então. Antes dele, a ética profissional estava muito ligada a uma visão moralizante, abstrata e pouco comprometida com a leitura crítica da realidade social. A virada de 1986 acompanha o movimento de renovação do Serviço Social brasileiro, que passa a dialogar com a matriz crítica e com a compreensão da questão social como produto das relações históricas e estruturais da sociedade. Em vez de tratar o bem comum e a pessoa humana como ideias soltas no ar, o código começa a se aproximar de uma ética voltada para a liberdade, a democracia e o compromisso com os direitos dos usuários. Por isso, o gabarito é a letra C: ele rompe com concepções éticas imutáveis e abstratas, idealistas e metafísicas de bem comum e pessoa humana. Em outras palavras, sai de cena aquela ética mais “sermão de domingo” e entra uma ética conectada à realidade social concreta, com base crítica. Esse movimento depois se aprofunda no Código de 1993, que consolida princípios como defesa dos direitos humanos, ampliação da cidadania e recusa do arbítrio e do autoritarismo. Então, se a questão falar em mudança de paradigma, crítica à visão abstrata de ética e rompimento com o conservadorismo, acenda a luz verde para 1986.