A questão social, como fruto da sociedade do capital, pode se apresentar nas suas mais diversas expressões, das quais pobreza e miséria são componentes, juntamente com a violência, o desemprego, a indigência, a fome, as desigualdades, a carência de políticas sociais, entre outras. A questão social trata, portanto, de uma totalidade imbuída de outras totalidades que se expressam de forma latente no modo de produção capitalista e que detém uma base material econômica, política e social, além de ser permeada
- A)pela questão de classe, que a desvela em suas contradições.
Correta, porque a questão de classe revela as contradições estruturais que produzem a questão social no capitalismo.
- B)pela premissa de uma insubordinação ao capital em sua feição contemporânea.
Errada, porque fala em insubordinação ao capital de forma vaga e desloca o núcleo explicativo da questão social.
- C)por uma perspectiva de moralidade intrínseca ao capital financeiro.
Errada, porque moralidade não explica a origem da questão social nem é categoria central para compreendê-la.
- D)pelo entendimento de ser um elemento separável da engrenagem do capital.
Errada, porque a questão social não é separável do capital; ela nasce exatamente das suas contradições.
- E)por uma concepção de se tratar de problema individual a ser resolvido via mercado.
Errada, porque reduz um fenômeno estrutural e coletivo a um problema individual resolvido pelo mercado.
Gabarito: A
A questão social, no Serviço Social, não é sinônimo de pobreza isolada nem de “problema de pobre”. Ela nasce das contradições do modo de produção capitalista: de um lado, a produção de riqueza; de outro, a distribuição desigual dessa riqueza, gerando desemprego, fome, violência, precarização e tantas outras expressões. Em termos clássicos da área, ela aparece como manifestação das desigualdades produzidas pela relação capital-trabalho. Por isso, quando o enunciado diz que a questão social é uma totalidade com base material econômica, política e social, ele está apontando para algo mais profundo do que casos individuais. O foco está nas determinações estruturais da sociedade, e não em uma falha moral de alguém ou em um desajuste pontual. O Serviço Social trabalha justamente nesse terreno, lidando com essas expressões no cotidiano das políticas sociais. O gabarito é a letra A porque a questão social é atravessada pela questão de classe. É essa leitura que desvela suas contradições, isto é, mostra que os problemas sociais não surgem do nada, mas das relações sociais produzidas pelo capital e pela disputa entre classes. Essa é uma formulação muito presente na tradição crítica do Serviço Social brasileiro. Em resumo: a questão social é estrutural, histórica e coletiva. Se a banca tentar fazer você reduzir tudo a moral, mercado ou dificuldade individual, desconfie na hora. A realidade social não cabe numa explicação de elevador.