As instituições vinculadas ao sociojurídico estão imersas no conjunto de interesses políticos e de ideologias que atravessam a sociabilidade burguesa. O assistente social ancorado no Projeto Ético-Político profissional é portador de um posicionamento técnico que propicia, segundo Borgianni (2012),
- A)potencializar negociações que interferem diretamente nas políticas publicas.
Errada, porque reduzir a atuação a negociações sobre políticas públicas não traduz o núcleo crítico e desalienador indicado por Borgianni.
- B)operar, pelo seu saber teórico, o poder legal nas relações cotidianas em ações penetradas por micropoderes.
Errada, porque transfere ao assistente social um poder legal que não é dele e ancora a atuação em micropoderes, o que não corresponde ao posicionamento ético-político da profissão.
- C)garantir os direitos de alguns segmentos sociais, sem violar os direitos de outros.
Errada, porque a atuação profissional não se limita a equilibrar direitos de segmentos distintos, e sim a analisar criticamente a realidade e enfrentar desigualdades estruturais.
- D)criar conhecimentos desalienantes sobre a realidade a ser analisada para se deliberar sobre a vida das pessoas.
Certa, porque expressa a produção de conhecimento crítico e desalienante sobre a realidade, orientando uma intervenção profissional comprometida com direitos.
- E)identificar tecnicamente a intervenção científica na compreensão da realidade.
Errada, porque confunde intervenção profissional com mera identificação técnica ou científica, sem explicitar o caráter crítico e desalienador do posicionamento profissional.
Gabarito: D
No campo sociojurídico, o assistente social atua em instituições que lidam com conflitos, violações de direitos, decisões judiciais e medidas de controle social. Por isso, seu trabalho nunca é neutro: ele acontece dentro de relações de poder, interesses de classe e ideologias que atravessam a sociedade burguesa. A sacada do Projeto Ético-Político profissional é justamente não aceitar a realidade como algo dado, mas analisá-la criticamente para defender direitos e ampliar a autonomia dos sujeitos. Borgianni destaca que esse posicionamento técnico não serve para "mandar na vida das pessoas" nem para legitimar decisões prontas. O papel do assistente social é produzir leitura crítica da realidade, com base teórico-metodológica, ético-política e técnico-operativa, de modo a desnaturalizar desigualdades e revelar contradições sociais. Em outras palavras, o trabalho profissional deve ajudar a enxergar o que está escondido pelo senso comum. É por isso que o gabarito é a letra D. Quando a alternativa fala em criar conhecimentos desalienantes sobre a realidade a ser analisada, ela está apontando exatamente para essa função crítica do Serviço Social no sociojurídico: produzir uma compreensão que rompa com visões moralizantes, individualizantes e punitivas. Isso permite uma intervenção mais qualificada e comprometida com direitos, e não com a simples reprodução do controle institucional. A ideia combina com a direção do Código de Ética do Assistente Social e com o Projeto Ético-Político da profissão: defesa dos direitos humanos, ampliação da cidadania e compromisso com a emancipação dos sujeitos. No sociojurídico, isso é ainda mais importante, porque a pressão para reduzir tudo a prova, laudo, parecer e disciplina é grande - e o profissional precisa manter o olhar crítico em vez de virar carimbador de desigualdade.