A discussão sobre a família no âmbito das políticas sociais tem se encaminhado a partir de duas perspectivas distintas. Uma delas sustenta que a capacidade de cuidado e proteção da família está relacionada ao cuidado e à proteção que lhe são garantidos pelas políticas sociais. Na compreensão de Mioto (2003), nessa perspectiva a família na sociedade brasileira, hoje, é reconhecida como um(a):
- A)unidade de cuidado e proteção;
Errada, porque essa perspectiva não vê a família como plenamente autossuficiente, mas como um grupo que também precisa de proteção social.
- B)instância a ser cuidada e protegida;
Certa, porque em Mioto (2003) a família deve ser reconhecida como instância a ser cuidada e protegida pelas políticas sociais.
- C)concepção naturalizada de obrigações.
Errada, porque essa formulação remete a uma visão moralizante e naturalizada da família, não à perspectiva de proteção social.
- D)construção histórica permeada por laços consanguíneos;
Errada, porque descreve a família de modo genérico e sociológico, mas não expressa a ideia central de ser alvo de cuidado das políticas.
- E)união de pessoas a desempenhar funções atribuídas pela sociedade;
Errada, porque desloca a discussão para funções sociais abstratas, sem captar a noção de família como sujeito que precisa de proteção.
Gabarito: B
A questão trata de como o Serviço Social enxerga a família nas políticas sociais. Em uma das leituras clássicas do tema, a família não deve ser tratada como se fosse automaticamente forte, autossuficiente e capaz de resolver tudo sozinha. Isso seria romantizar a vida real e ignorar desigualdades, pobreza, sobrecarga e ausência de redes de apoio. Na perspectiva indicada por Mioto (2003), a família precisa ser vista como alvo de proteção do próprio Estado e das políticas sociais. Em outras palavras, antes de exigir que ela cuide, proteja e sustente todos os seus membros, é preciso reconhecer que ela também precisa ser cuidada e protegida para conseguir exercer essas funções. A lógica aqui é de apoio social, e não de cobrança moral. É por isso que o gabarito é a letra B. A autora entende a família na sociedade brasileira como uma instância a ser cuidada e protegida, justamente porque sua capacidade de cuidado depende das condições concretas que lhe são oferecidas pelas políticas públicas. Sem isso, a família vira um depósito de responsabilidades sem suporte, o que é bem comum em discursos conservadores sobre proteção social. Essa leitura dialoga com a proteção social prevista na Constituição de 1988 e com a lógica da Seguridade Social, que inclui a família como foco de atenção estatal, e não apenas como solução privada para os problemas sociais.