A pandemia acelerou o processo de entrada das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no trabalho profissional de assistentes sociais. Neste escopo, o teletrabalho encontra a defesa do seu uso no serviço público como sendo um elemento para modernização, aumento de produtividade e, inclusive, como algo benéfico aos trabalhadores. Contudo, na compreensão do CFESS, esta modalidade laboral
- A)responsabiliza individualmente assistentes sociais e usuários no caso de insucesso na resolução das demandas falha nos encaminhamentos
Errada, porque a crítica do CFESS ao teletrabalho não se resume a responsabilização individual por falhas, embora isso possa ocorrer na lógica gerencial.
- B)se soma à defesa da privatização dos serviços públicos, incorporado em uma lógica gerencialista, sem se preocupar com os impactos sobre a qualidade do serviço prestado.
Certa, pois o CFESS entende o teletrabalho no serviço público como compatível com a lógica gerencialista e com a defesa de privatização, sem garantir melhora na qualidade do serviço.
- C)intensifica as demandas dos mais pobres e contribui para o desemprego em massa decorrente das contratações temporárias e urgentes.
Errada, porque a alternativa mistura efeitos sociais gerais da pandemia com uma leitura que não expressa a posição específica do CFESS sobre teletrabalho.
- D)externaliza e precariza as consultorias e assessorias organizacionais sob a aparência de prestação de serviços com relativa autonomia.
Errada, pois trata de consultorias e assessorias organizacionais, e não da crítica central do CFESS ao teletrabalho no serviço público.
- E)viabiliza o trabalho feminino no ambiente doméstico, podendo a mulher ficar mais tempo com sua prole e flexibilizar seus horários.
Errada, porque apresenta uma visão idealizada e doméstica do teletrabalho, sem considerar a crítica do CFESS à intensificação e precarização do trabalho.
Gabarito: B
A pandemia empurrou o teletrabalho para dentro do debate sobre o Serviço Social, mas o CFESS não compra a ideia de que ele seja, por si, sinônimo de modernização e ganho real para o serviço público. Para a entidade, quando o teletrabalho vira regra ou modelo de gestão, ele tende a reforçar a lógica produtivista e gerencialista, com foco em metas, controle de resultados e redução de custos, e não na qualidade do atendimento à população. No serviço público, isso costuma andar junto com a precarização do trabalho e com a erosão das condições necessárias para um atendimento crítico, ético e comprometido com direitos. Por isso, a alternativa correta é a B: ela traduz a crítica do CFESS ao teletrabalho como peça de uma racionalidade de corte neoliberal, associada à privatização e à mercantilização dos serviços, sem centralidade na qualidade do serviço prestado. Em prova, pense assim: se a frase vende o teletrabalho como solução mágica, o CFESS geralmente acende o sinal de alerta.