Um dos instrumentos mais comumente utilizados pelo assistente social é a visita domiciliar. Na ótica da teoria crítica que ilumina a profissão, esse instrumento tem como finalidade:
- A)reunir elementos para aferir a verdade sobre o usuário e/ou sua família;
Errada, porque trata a visita como se fosse uma busca da “verdade” sobre o usuário, numa postura investigativa e moralizante, incompatível com a perspectiva crítica.
- B)apreender os vários determinantes sociais que fazem parte daquela realidade social;
Certa, porque a visita domiciliar deve permitir compreender os determinantes sociais da realidade vivida pelo usuário e sua família.
- C)articular critérios sociais com a instituição a fim de determinar prioridades;
Errada, porque fala em definir prioridades institucionais, o que não expressa a finalidade central da visita domiciliar na ótica crítica.
- D)utilizar mais uma atividade vinculada à lógica da razão instrumental;
Errada, porque associa o instrumento à lógica da razão instrumental, justamente o que a teoria crítica problematiza e não toma como finalidade.
- E)verificar e sistematizar as informações prestadas pelos usuários atendidos na instituição.
Errada, porque reduz a visita a conferência e checagem de dados, como se o foco fosse apenas validar informações já prestadas.
Gabarito: B
A visita domiciliar é um instrumento clássico do trabalho do assistente social, mas, na perspectiva da teoria crítica, ela não serve para “vasculhar” a vida da pessoa nem para montar um julgamento moral sobre a família. O foco é compreender a realidade social como totalidade, isto é, enxergar as condições concretas em que o sujeito vive, trabalha, acessa direitos e enfrenta vulnerabilidades. Em vez de reduzir a situação a uma explicação individual, você observa como moradia, renda, vínculos, território, políticas públicas e relações sociais se articulam naquele contexto. Por isso, a visita domiciliar tem finalidade investigativa e interventiva: ela ajuda a apreender os vários determinantes sociais presentes na realidade do usuário. Isso combina com a direção crítica do Serviço Social, que lê a questão social para além do imediato e do aparente. O instrumento não é neutro, mas também não pode virar caça às “verdades” ocultas do usuário. Ele deve produzir conhecimento qualificado para orientar a intervenção profissional. Na prática, a visita domiciliar pode subsidiar estudo social, parecer, encaminhamentos e planejamento do atendimento, sempre com ética, respeito à privacidade e consentimento, conforme os princípios do Código de Ética Profissional do Assistente Social e a Lei 8.662/1993, que regulam a atuação profissional. O essencial é sair da lógica fiscalizatória e entrar na lógica da compreensão crítica da realidade. Então, o gabarito é a letra B porque ela expressa exatamente essa leitura ampliada do contexto social: a visita domiciliar serve para apreender os determinantes que estruturam a vida daquela família, e não para simplesmente conferir informações ou “testar” o usuário.