A ação profissional do trabalho do assistente social com famílias implica, dentre outros, processos socioassistenciais que, para Mioto (2010):
- A)vinculam as ações profissionais com enfoque no planejamento institucional de gestão e gerência de serviços;
Errada, porque fala de planejamento institucional e gestão de serviços, e não do sentido central dos processos socioassistenciais com famílias.
- B)buscam responder às demandas/necessidades das famílias numa perspectiva de construção da autonomia;
Certa, porque expressa a resposta às demandas das famílias voltada para o fortalecimento da autonomia, exatamente na linha de Mioto.
- C)definem os fundamentos teórico-metodológicos e éticopolíticos que sustentam as finalidades que orientam as ações;
Errada, porque trata de fundamentos teórico-metodológicos e ético-políticos, que são bases da profissão, não a definição dos processos socioassistenciais com famílias.
- D)acarretam ações que privilegiam a discussão da relação família e proteção social na esfera pública;
Errada, porque restringe a discussão à relação família e proteção social na esfera pública, mas isso não define o foco socioassistencial indicado por Mioto.
- E)estabelecem os sujeitos destinatários das ações, as formas de abordagem e os instrumentos técnico-operativos.
Errada, porque descreve elementos técnico-operativos da prática profissional, como sujeitos, abordagem e instrumentos, e não a finalidade socioassistencial em si.
Gabarito: B
Na perspectiva de Mioto, o trabalho do assistente social com famílias não pode ficar reduzido a controle, fiscalização ou mera execução burocrática. A ideia central é construir processos socioassistenciais que respondam às necessidades concretas das famílias, respeitando sua história, seus vínculos e suas condições reais de vida. Em vez de tratar a família como problema, a intervenção precisa fortalecê-la como sujeito de direitos. Por isso, quando a questão fala em ações que buscam responder às demandas e necessidades das famílias numa perspectiva de construção da autonomia, ela está resumindo bem esse enfoque. Autonomia aqui não significa "cada um por si", e sim ampliar acesso a direitos, informação, proteção social e condições para escolhas mais seguras. É uma lógica de emancipação, não de tutela. Mioto também critica intervenções que culpabilizam a família ou a tratam como alvo passivo. O trabalho profissional com famílias deve articular proteção social, reconhecimento das vulnerabilidades e fortalecimento dos vínculos, sempre dentro do projeto ético-político do Serviço Social. Em termos práticos, a intervenção precisa ajudar a família a lidar com suas dificuldades sem retirar dela o protagonismo. É por isso que o gabarito é a letra B: ela traz exatamente a ideia de resposta às necessidades familiares com foco na autonomia, que é o núcleo da abordagem defendida por Mioto (2010).