Para Guerra (2004), a busca dos fundamentos como uma recorrência necessária de todo conhecimento crítico, permitiu tornar o Serviço Social contemporâneo do seu tempo, o que, por sua vez, possibilitou
- A)estabelecer mediações que se particularizam em funções, atribuições, competências, reafirmando o caráter de profissão liberal e sua autonomia frente às instituições.
Errada, porque trata de funcao, atribuicao e autonomia profissional, mas nao expressa a ideia central de leitura critica da realidade e de suas contradicoes.
- B)identificar que um objeto projeta uma finalidade e faz uso de determinados meios ou instrumentos de trabalho para alcançar uma finalidade específica.
Errada, porque descreve a relacao entre objeto, finalidade e instrumentos de trabalho, algo mais tecnico-operacional do que o enfoque teorico-crtico pedido.
- C)captar o vir a ser da realidade, as forças de ruptura que a realidade porta no seu interior e que se confrontam a todo tempo com os vetores que lutam pela sua manutenção.
Certa, porque traduz a perspectiva de compreender a realidade em movimento, com suas possibilidades de ruptura e transformacao interna.
- D)reforçar o entendimento do Serviço Social como uma ciência ou como uma tecnologia social de intervenção e controle da sociedade a partir de demandas dos segmentos vulneráveis.
Errada, porque reforca uma visao instrumental e controladora do Servico Social, distante da leitura critica e do projeto profissional voltado para a transformacao social.
- E)diferenciar as concepções da vertente de ruptura das anteriores, a concretizando uma fecunda teorização eclética e holística para a profissão.
Errada, porque fala em ecletismo e holismo, que nao combinam com a vertente critica de Guerra nem com a busca de fundamentos historico-dialeticos.
Gabarito: C
Guerra (2004) trabalha a ideia de que buscar os fundamentos nao e luxo teorico, e sim uma necessidade de quem quer fazer analise critica de verdade. Quando o Servico Social se volta para os fundamentos, ele deixa de olhar a realidade como algo parado e passa a entende-la como um processo historico, cheio de contradicoes, interesses em disputa e possibilidades de mudanca. Essa postura permite que a profissao seja contemporanea do seu tempo, ou seja, acompanhe as transformacoes da sociedade sem ficar presa a respostas prontas. Em vez de enxergar apenas a face imediata dos problemas sociais, o profissional passa a captar o movimento real da vida social, incluindo as tensoes entre conservacao e ruptura. Por isso o gabarito aponta a ideia de captar o vir a ser da realidade, as forcas de ruptura que ela carrega no seu interior e que enfrentam os vetores de manutencao. E exatamente esse olhar critico, historico e dialetico que caracteriza a leitura de Guerra: nao basta descrever o que existe, e preciso perceber o que pode emergir do conflito social. Em prova, pense assim: fundamentar nao e enfeitar a teoria, e dar ao Servico Social capacidade de ler a realidade para alem da superficie. Quando a banca fala em ruptura, contradicoes e vir a ser, ela esta cobrando esse olhar mais profundo, bem na linha da tradicao critica da profissao.