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Serviço Social · FGV · 2023

Questão comentada de Serviço Social

A nova realidade do trabalho no Brasil é marcada por fortes processos de reestruturação produtiva e organizacional. A subcontratação, os sistemas flexíveis e outras inovações produtivas desenham uma nova morfologia do trabalho, caracterizada por sua precariedade estrutural. Com base nesta afirmação, assinale V ou F para as respostas que indicam seus impactos para os trabalhadores no sistema bancário. ( ) As imposições das empresas transnacionais levaram à adoção, por parte de suas subsidiárias no Brasil, de novos padrões organizacionais e tecnológicos. ( ) No estágio atual do capitalismo brasileiro, enormes enxugamentos da força de trabalho combinam-se com mutações sociotécnicas no processo produtivo e na organização do controle social do trabalho. ( ) Em seu processo de reestruturação, os trabalhadores bancários foram fortemente atingidos pelas mudanças nos procedimentos e rotinas de trabalho fundamentadas e impulsionadas pelas tecnologias de base microeletrônica. ( ) Como consequência das práticas flexíveis de contratação da força de trabalho nos bancos (ampliação da terceirização, da contratação de trabalhadores por tarefas ou em tempo parcial), presenciou-se uma maior precarização dos empregos e redução de salários. As afirmativas são, respectivamente,

Gabarito: B

A questão trata da reestruturação produtiva no capitalismo contemporâneo e de seus efeitos no trabalho bancário, especialmente no Brasil. O ponto central é que, com a modernização tecnológica e organizacional, o emprego não ficou mais “leve” para o trabalhador: na prática, houve enxugamento de quadros, intensificação do trabalho, maior controle e expansão de formas mais frágeis de contratação. No Serviço Social, isso aparece como parte da precarização estrutural do trabalho, conceito muito associado à leitura crítica do mundo do trabalho feita por autores como Ricardo Antunes. No setor bancário, a informatização, a microeletrônica, os sistemas flexíveis e a lógica de produtividade elevaram a pressão por metas e reduziram postos de trabalho. As mudanças não atingiram só as máquinas: elas reorganizaram o modo de trabalhar, o controle sobre o tempo e até as rotinas dos bancários. Por isso, é correto dizer que houve mutações sociotécnicas combinadas com forte redução da força de trabalho. Também é verdadeiro que empresas transnacionais influenciam as subsidiárias no Brasil a adotar padrões tecnológicos e organizacionais mais “modernos”, quase sempre para aumentar competitividade e reduzir custos. Só que essa modernização vem com uma conta salgada para o trabalhador: terceirização, contratos temporários, trabalho parcial e mais insegurança no emprego. Resultado clássico? Mais precarização e salários pressionados para baixo. Assim, todas as afirmativas estão corretas, e o gabarito B se sustenta porque descreve com precisão o impacto da reestruturação produtiva sobre os bancários: menos postos, mais controle, mais tecnologia e menos proteção. Em resumo: o banco digitaliza, o trabalhador aperta o passo.

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