Em relação à intervenção profissional do Assistente Social nas condições e relações de trabalho, é correto afirmar que
- A)cabe ao Assistente Social interferir na desaceleração dos processos tecnológicos, evitando a substituição da mão de obra de baixa qualificação e a demissão de trabalhadores com produtividade abaixo da esperada.
Errada, porque o Assistente Social não deve atuar para desacelerar a tecnologia nem para proteger a empresa da substituição de mão de obra, já que sua intervenção deve priorizar direitos, não controle empresarial.
- B)A intervenção profissional do Assistente Social se submete inteiramente à força e à lógica do comando do capital no processo de (re)produção, anulando a possibilidade de os Assistentes Sociais atribuírem direção às suas atividades.
Errada, porque o Serviço Social não fica totalmente submetido à lógica do capital sem qualquer autonomia; há limites institucionais, mas também direção ético-política da profissão.
- C)Cabe ao Assistente Social buscar estratégias para alargar as bases de apoio no interior do espaço ocupacional e somar forças com segmentos organizados que se movem pelos mesmos princípios éticos e políticos.
Certa, porque o Assistente Social pode articular apoios no espaço ocupacional e se somar a grupos organizados afinados com princípios éticos e políticos, fortalecendo sua intervenção profissional.
- D)O Assistente Social deve silenciar os determinantes histórico-estruturais objetivos que atravessam o exercício da profissão a fim de concretizar a vontade política do coletivo profissional.
Errada, porque o profissional não deve silenciar os determinantes históricos e estruturais do trabalho; pelo contrário, precisa considerá-los para uma intervenção crítica e consistente.
- E)Cabe ao Assistente Social monitorar o cumprimento dos requisitos de produtividade, eficiência, prazos e rotinas por parte do corpo de trabalhadores.
Errada, porque monitorar produtividade, eficiência, prazos e rotinas é uma função típica de gestão e controle empresarial, não a finalidade central da intervenção profissional do Assistente Social.
Gabarito: C
A intervenção do Assistente Social nas condições e relações de trabalho não pode ser vista como algo passivo, nem como simples execução das ordens da empresa. A profissão atua dentro de uma realidade marcada pela lógica do capital, mas isso não elimina a possibilidade de direção ético-política no trabalho profissional. Ou seja: o Assistente Social tem limites institucionais, mas também tem projeto profissional, leitura crítica da realidade e capacidade de construir estratégias de atuação. Na prática, isso significa que ele pode atuar na defesa de direitos, na mediação de conflitos, no acesso a benefícios e serviços, na organização de informações sobre o mundo do trabalho e na articulação com outros sujeitos coletivos. A intervenção não é para acelerar demissões nem para virar fiscal de produtividade da empresa, e muito menos para fingir que os determinantes históricos do trabalho não existem. Isso seria bem o oposto do que a profissão defende. O gabarito é a letra C porque ela expressa exatamente essa direção: o Assistente Social pode buscar estratégias para ampliar suas bases de apoio no espaço ocupacional e somar forças com segmentos organizados que compartilham princípios éticos e políticos. Isso conversa com o Projeto Ético-Político do Serviço Social e com a ideia de atuação crítica e articulada com os interesses da classe trabalhadora, sem negar os limites concretos do empregador. Em termos doutrinários, a atuação profissional é condicionada pela divisão social e técnica do trabalho, mas não é totalmente anulada por ela. A profissão atua em um campo de tensões, e é justamente aí que ganha sentido a construção de alianças, a defesa de direitos e a orientação emancipatória do trabalho profissional.