Os princípios sobre os quais se estruturou o relatório “As Causas Sociais das Iniquidades em Saúde no Brasil” (2008), estão listados a seguir, à exceção de um. Assinale-o.
- A)Enfrentar as iniquidades em saúde persistentes no Brasil.
Correta, porque o relatório foi pensado para combater as iniquidades em saúde que persistem no Brasil.
- B)Fundamentar suas análises e recomendações em sólidas evidências científicas.
Correta, pois um dos pilares do documento é basear as conclusões em evidências científicas consistentes.
- C)Identificar que renda e escolaridade não estão associadas aos resultados de saúde.
Errada, porque renda e escolaridade têm relação direta com os resultados de saúde, e o relatório reconhece isso.
- D)Construir modelos para esquematizar as relações entre os vários níveis de determinantes sociais e a situação de saúde.
Correta, já que o texto propõe modelos para organizar os diferentes níveis de determinantes sociais e sua relação com a saúde.
- E)Analisar como as mudanças na estrutura etária, principalmente o peso relativo dos idosos, têm impacto na definição de políticas públicas.
Correta, pois o relatório também considera mudanças demográficas, como o envelhecimento populacional, na formulação de políticas públicas.
Gabarito: C
Esse relatório de 2008, ligado ao debate sobre determinantes sociais da saúde, parte de uma ideia central: saúde não depende só de hospital, remédio e consulta. Ela é moldada por renda, escolaridade, trabalho, moradia, raça/cor, território e por como a sociedade distribui oportunidades. Por isso, o documento foi construído para enfrentar as iniquidades em saúde persistentes no Brasil, com base em evidências e em modelos que ajudam a enxergar as camadas de determinantes sociais. Na prática, o relatório organiza o raciocínio em três níveis: determinantes estruturais, determinantes intermediários e efeitos na situação de saúde. É aquela lógica de ligar o ponto A ao ponto B sem deixar o quadro virar um quebra-cabeça sem manual. A ideia é justamente mostrar como desigualdades sociais produzem diferenças injustas e evitáveis nos resultados de saúde. O gabarito é a letra C porque o relatório não diz que renda e escolaridade não se associam aos resultados de saúde. Muito pelo contrário: ele parte da premissa de que essas variáveis têm forte relação com adoecimento, acesso aos serviços e chance de viver melhor ou pior. Então a alternativa C inverte o sentido do documento e cai na armadilha clássica da negação do óbvio social. Em termos de estudo para concurso, guarde isso: quando a banca falar em determinantes sociais da saúde, pense em desigualdade, evidência científica e construção de esquemas explicativos. Se aparecer uma frase dizendo que fatores sociais importantes não se relacionam com saúde, desconfie na hora.