De acordo com Iamamoto (2021), em publicação do CFESS, as conquistas dos/as assistentes sociais nas últimas cinco décadas também tecem o conjunto de desafios do presente, tais como: “o desenvolvimento de estudos sobre a formação social e histórica do Brasil e suas incidências no universo do Serviço Social, explicando as expressões da ‘questão social’ e dos sujeitos que as vivenciam em suas dimensões de raça, etnia, sexualidade, geração e território – a classe trabalhadora e seus segmentos - com os quais trabalhamos; e contribuímos para sua visibilidade na cena pública, também incluindo imigrantes, refugiados/as, apátridas e populações originárias”. Com base neste excerto, analise as afirmativas a seguir. I. O Estado Ampliado, categoria da perspectiva teórico metodológica funcionalista, permite uma análise sobre as relações entre Estado e sociedade civil. II. A perspectiva histórico-crítica de análise das relações sociais contribui para o desvelamento das múltiplas situações de violação de direitos, através de conceitos como exploração, violência, poder. III. Será possível enfrentar os “desafios do presente” a partir da perspectiva de trabalho de inspiração norte-americana do Serviço Social de Casos, Grupo e Comunidade. Está correto o que se afirma em
- A)II, apenas.
A alternativa sustenta que apenas a afirmativa II está correta. Isso procede porque a perspectiva histórico-crítica realmente ajuda a desvelar violações de direitos ao analisar exploração, dominação, violência e poder nas relações sociais. Já a I erra ao atribuir o conceito de Estado Ampliado ao funcionalismo, quando ele se vincula à tradição gramsciana e à leitura crítico-histórica; a III também não se sustenta, porque o modelo de Serviço Social de Casos, Grupo e Comunidade é um referencial norte-americano tradicional, insuficiente para enfrentar os desafios contemporâneos indicados no enunciado.
- B)I e II, apenas.
A alternativa afirma que as proposições I e II estariam corretas. A II realmente está certa, pois a abordagem histórico-crítica permite compreender as expressões da questão social a partir de conceitos como exploração e poder. Porém, a I apresenta um erro conceitual relevante ao dizer que o Estado Ampliado seria categoria do funcionalismo, quando essa formulação é de base gramsciana e integra uma leitura crítico-dialética das relações entre Estado e sociedade civil.
- C)I e III, apenas.
A alternativa defende que as afirmativas I e III seriam verdadeiras. O problema é que a I mistura um conceito correto com uma matriz teórica errada, porque o Estado Ampliado não pertence à perspectiva funcionalista. Além disso, a III é incompatível com o enunciado, já que a inspiração norte-americana do Serviço Social de Casos, Grupo e Comunidade expressa uma tradição metodológica fragmentada e conservadora, não uma resposta suficiente aos desafios contemporâneos do Serviço Social.
- D)II e III, apenas.
A alternativa diz que as afirmativas II e III estariam corretas. A II está de fato adequada, pois a perspectiva histórico-crítica explica as violações de direitos a partir das determinações sociais da vida em sociedade. Mas a III está errada, porque o tripé Casos, Grupo e Comunidade remete ao modelo clássico de matriz norte-americana, centrado em intervenções parceladas, sem dar conta da análise crítica das desigualdades, da questão social e das novas expressões de vulnerabilidade mencionadas no texto.
- E)I, II e III.
A alternativa reúne as três afirmativas como corretas. Isso não se sustenta porque a I erra ao classificar o Estado Ampliado como categoria funcionalista, quando sua formulação é associada a Gramsci e à leitura crítica do Estado. Também erra a III, já que a perspectiva norte-americana de Casos, Grupo e Comunidade não responde, por si só, aos desafios contemporâneos de análise das determinações históricas, das múltiplas expressões da questão social e das desigualdades de raça, gênero, território e migração.
Gabarito: A
A questão gira em torno da leitura crítico-histórica do Serviço Social, muito associada a Iamamoto. Nessa perspectiva, você não olha a realidade como um conjunto de problemas isolados, mas como resultado das relações sociais, da exploração e das formas de produção da desigualdade. Por isso, temas como raça, etnia, gênero, geração, sexualidade e território aparecem ligados à chamada questão social, e não como "detalhes" periféricos. A afirmativa II está correta porque a perspectiva histórico-crítica ajuda justamente a desvelar as várias expressões da violação de direitos, usando categorias como exploração, violência e poder para entender como essas situações são produzidas socialmente. É a lente que permite enxergar o que muitas vezes parece apenas um caso individual, mas na verdade é parte de uma estrutura maior. Já a afirmativa I erra ao atribuir o Estado Ampliado à perspectiva funcionalista. Essa categoria é de matriz marxista, especialmente em diálogo com Gramsci, para analisar a relação entre Estado e sociedade civil. Então, aqui a banca troca a base teórica e tenta confundir você com um nome bonito e uma teoria errada. Clássico, não é? A afirmativa III também está errada, porque o Serviço Social de Casos, Grupo e Comunidade, de inspiração norte-americana, pertence a uma tradição mais ajustadora e tecnicista, muito distante da leitura crítica dos desafios contemporâneos indicada no excerto. Assim, só a II está correta, o que confirma o gabarito A.