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Serviço Social · FGV · 2023

Questão comentada de Serviço Social

Na segunda parte do documento intitulado Atribuições Privativas do/a Assistente Social em Questão - volume 2, publicado pelo CFESS em 2020, lê-se que: “É necessário que a/o profissional, sobrepondo as armadilhas do cotidiano, questione as demandas institucionais e as reinterprete à luz do projeto profissional. A visita domiciliar e a entrevista realizada nesse ambiente compõem o trabalho da/do assistente social desde as origens da profissão. Nossa identidade profissional carrega a “marca” decorrente do legado do Serviço Social tradicional e da perspectiva policialesca e fiscalizadora da vida privada de segmentos subalternizados na sociedade de classes. A afirmação do projeto profissional, portanto, exige cotidianamente a demarcação de posição contrária frente a tal expectativa”. Em estudos sociais decorrentes, por exemplo, de denúncia de violação de direitos no âmbito familiar (que podem ou não resultar em registros), a demanda institucional geralmente é a de “averiguação” de sua ocorrência. Com base no excerto acima, assinale a afirmação incorreta.

Gabarito: B

A questão gira em torno de um ponto muito importante no Serviço Social: visita domiciliar e entrevista no domicílio não servem para transformar o assistente social em “investigador” da vida alheia. O próprio CFESS, ao tratar das atribuições privativas, alerta que a intervenção precisa ser lida à luz do projeto ético-político da profissão, com respeito aos sujeitos, à privacidade e aos direitos sociais. Na prática, isso significa que o estudo social deve buscar compreender os determinantes sociais da situação vivida pela família, dialogar com os sujeitos e articular respostas na rede de proteção social. O foco é proteção, acesso a direitos e fortalecimento de vínculos, e não um clima de interrogatório com cara de inquérito. Por isso, a alternativa B está incorreta: ela atribui à entrevista no domicílio a finalidade de “aferir a verdade” e reunir elementos para sanção/punição. Essa lógica é incompatível com o Código de Ética do Assistente Social (Resolução CFESS nº 273/1993), que orienta a defesa intransigente dos direitos humanos, o respeito à liberdade, à autonomia e à dignidade dos usuários, além do sigilo profissional e da não utilização da intervenção como instrumento policialesco. Em outras palavras: o domicílio pode ser um espaço legítimo de trabalho, mas não um palco para vigiar, constranger ou punir. O assistente social atua para compreender a realidade e garantir direitos, não para “caçar prova”.

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