Tendo por “premissa comum a concepção de que o exercício profissional se constitui em uma totalidade formada pelas três dimensões, a saber: teórico-metodológica, ético-política e técnico- operativa, que mantêm uma relação de unidade, apesar de suas particularidades” (SANTOS, BACKX, GUERRA, 2017), as seguintes afirmativas em relação à entrevista estão corretas, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)É um dos principais instrumentos de intervenção do Serviço Social.
Certa: a entrevista é, sim, um dos principais instrumentos de intervenção do Serviço Social.
- B)É uma oportunidade para o profissional estreitar laços com os trabalhadores.
Certa: ela favorece aproximação, vínculo e escuta qualificada com os trabalhadores.
- C)É mobilizadora das dimensões teórico-metodológica e ético - política.
Certa: a entrevista exige análise crítica da realidade e decisão ética na condução do atendimento.
- D)É usada para conhecer e registrar diferentes aspectos da vida do trabalhador.
Certa: ela serve para conhecer e registrar aspectos da vida do trabalhador, conforme a finalidade profissional.
- E)É importante para que a empresa monitore todas as informações sobre a vida do trabalhador.
Errada: a entrevista não serve para a empresa vigiar todas as informações da vida do trabalhador, pois isso desvirtua a finalidade do instrumento e afronta sigilo e privacidade.
Gabarito: E
A entrevista, no Serviço Social, é muito mais do que “perguntar e responder”. Ela é um instrumento técnico-operativo central, porque permite conhecer a realidade do usuário, compreender demandas, registrar informações relevantes e construir vínculos profissionais com ética e intencionalidade. Em outras palavras: não é conversa solta de corredor, é intervenção profissional com direção teórico-metodológica e compromisso ético-político. Na prática, a entrevista ajuda você a acessar aspectos da vida social, familiar, laboral e subjetiva da pessoa atendida, sempre respeitando sigilo, autonomia e os limites do atendimento. Por isso, ela pode ser usada para coleta de dados, análise de situação e encaminhamentos, mas nunca como autorização para vigiar a vida do usuário como se a empresa fosse “dona da ficha inteira”. Quando a questão fala da relação entre as dimensões do exercício profissional, a entrevista mobiliza especialmente a dimensão técnico-operativa, mas também exige leitura crítica da realidade e postura ética. É justamente aí que mora a graça do tema: o instrumento não é neutro, ele carrega projeto profissional e direção social. O gabarito é a alternativa E porque a entrevista não existe para a empresa monitorar todas as informações sobre a vida do trabalhador. Isso fere a finalidade profissional do Serviço Social, o direito à privacidade, o sigilo profissional e a própria ética da intervenção. O uso da entrevista deve ser orientado pela proteção de direitos e pela compreensão da situação social, e não por vigilância ampla e indiscriminada.