De acordo com Robaina (2010) “tradicionalmente, na saúde mental, o trabalho com famílias vem sendo dirigido aos assistentes sociais. Embora esse tipo de trabalho não seja atribuição exclusiva do Serviço Social, nem mesmo como objeto de estudo, é seguro afirmar que entre as categorias profissionais típicas da equipe de saúde mental, é esta profissão que tem o maior lastro de conhecimento e trato nessa área”. De acordo com esta concepção, é fundamental que os seguintes aspectos sejam contemplados, à exceção de um, que está errado. Assinale-o.
- A)A equipe tenha uma mesma compreensão sobre o conceito de família.
Certa, porque a equipe precisa compartilhar minimamente o mesmo entendimento sobre família para evitar ações desencontradas.
- B)Os assistentes sociais conheçam o perfil das famílias usuárias daquele equipamento.
Certa, porque conhecer o perfil das famílias usuárias ajuda a planejar intervenções mais adequadas à realidade atendida.
- C)Sejam acionadas outras políticas sociais para dar suporte a estes familiares.
Certa, porque o trabalho com famílias na saúde mental muitas vezes depende da articulação com outras políticas sociais e da rede de proteção.
- D)Se realize um trabalho interdisciplinar.
Certa, porque a atuação com famílias nesse campo exige diálogo entre saberes e prática interdisciplinar.
- E)Se definam objetivos e metas no trabalho com famílias sem, contudo, considerar seu repertório de vivências e demandas, por representarem um conteúdo marcado pelo sofrimento psíquico.
Errada, porque o trabalho com famílias deve considerar suas vivências, demandas e contexto, e não ignorá-los.
Gabarito: E
Quando a saúde mental trabalha com famílias, o foco não pode ser “padronizar a família ideal”, como se existisse um manual único para todos. O que se espera é uma atuação que reconheça a diversidade dos arranjos familiares, suas condições concretas de vida, seus vínculos e suas necessidades reais. Por isso, o assistente social precisa conhecer o território, as políticas públicas disponíveis e o perfil das famílias atendidas, sempre em articulação com a equipe multiprofissional. Na prática, isso combina muito com a lógica do trabalho interdisciplinar: cada profissional entra com seu olhar, mas ninguém resolve tudo sozinho. Também faz sentido acionar outras políticas sociais, porque família não vive de “boa vontade” apenas - ela precisa de rede de apoio, renda, saúde, assistência, educação e proteção social, conforme a Constituição Federal de 1988 e a LOAS, que organizam a seguridade e a assistência como direitos. O ponto central da questão está na alternativa incorreta porque o trabalho com famílias na saúde mental não deve desconsiderar seu repertório de vivências e demandas. Pelo contrário: é justamente esse repertório que orienta o planejamento das ações. Se a intervenção ignora a experiência concreta da família, ela vira um desenho bonito no papel e pouco útil no mundo real. Então, o gabarito é E porque ela contraria a própria ideia de atenção humanizada, territorializada e centrada nas necessidades dos sujeitos e de suas famílias. Em vez de definir metas “por cima”, o serviço deve construir objetivos com a família, respeitando sua história, seus recursos e seus limites.