Para Eurico (2022), a coleta do quesito raça/cor/etnia é essencial na elaboração de políticas públicas em uma perspectiva antirracista, pois:
- A)viabiliza a luta contra a estrutura de dominação e opressão erigida pelo modo de produção capitalista;
Errada, porque reduz a questão racial à luta geral contra o capitalismo, sem destacar o papel específico do dado raça/cor/etnia na visibilização da desigualdade racial.
- B)permite classificar os diversos grupos raciais a partir de suas etnias originárias a fim de subsidiar políticas específicas;
Errada, porque o objetivo não é classificar grupos por etnias originárias, e sim produzir informação útil para enfrentar desigualdades reais nas políticas públicas.
- C)faz emergir as nuances do silenciamento da desigualdade étnico-racial e da vinculação direta entre acumulação capitalista e racismo;
Certa, porque o quesito permite evidenciar desigualdades étnico-raciais ocultadas e relacioná-las à dinâmica estrutural do racismo e da acumulação capitalista.
- D)denuncia práticas autoritárias e restritivas de direitos, contra pessoas que têm sua humanidade negada em virtude de integrarem grupos étnico-raciais perseguidos;
Errada, porque fala em denúncia genérica de autoritarismo e perseguição, mas não toca no ponto central da coleta de dados para formulação antirracista de políticas públicas.
- E)combate formulações do senso comum, influenciadas pelo mito da democracia racial, via miscigenação.
Errada, porque combate o mito da democracia racial é importante, mas a alternativa simplifica demais a função do quesito e não destaca sua utilidade concreta para revelar desigualdades.
Gabarito: C
A coleta do quesito raça/cor/etnia não é um detalhe burocrático: ela é uma ferramenta para enxergar desigualdades que muitas vezes ficam escondidas na média estatística. Sem esse dado, o Estado corre o risco de tratar todos como se partissem do mesmo ponto, quando a realidade brasileira mostra diferenças profundas de acesso a renda, saúde, educação, moradia e proteção social. Em uma perspectiva antirracista, esse registro ajuda a identificar onde o racismo opera, quais grupos são mais atingidos e como isso se relaciona com a organização social e econômica. Ou seja, o dado não serve só para contar pessoas, mas para revelar processos de desigualdade, discriminação e exclusão que precisam ser enfrentados por políticas públicas. É por isso que o gabarito é a letra C: o quesito raça/cor/etnia permite fazer emergir as nuances do silenciamento da desigualdade étnico-racial e também explicitar a vinculação entre acumulação capitalista e racismo. Em termos simples, ele ajuda a mostrar que o racismo não é um acidente isolado, mas parte de uma engrenagem que produz e mantém desigualdades. Esse raciocínio conversa com a tradição crítica do Serviço Social e com a defesa de políticas universais com recorte antirracista, especialmente no marco da Constituição de 1988 e da igualdade material. A coleta do dado, portanto, é base para diagnosticar, planejar e corrigir injustiças sociais com mais precisão.