As desigualdades de gênero e raça não se configuram como uma novidade entre nós. A incorporação de análises sobre a realidade brasileira e a construção de indicadores sociais que permitam a estruturação de propostas de intervenção para o enfrentamento destas desigualdades vêm sendo progressivamente incorporadas pelo Serviço Social, mas ainda constituem um grande desafio em seu processo de qualificação. Neste sentido, avalie as afirmativas a seguir. I. A discussão de gênero e raça deve se dar como conteúdo de disciplinas alternativas na graduação, sem articulação com as demais disciplinas do currículo do Serviço Social. II. É fundamental que gênero e raça sejam discutidos de maneira transversal no currículo de Serviço Social. III. Para a apreensão do debate sobre racismo é recomendável a incorporação da produção de intelectuais negros/as. IV. O enfrentamento a estas desigualdades não se restringe a uma atitude isolada ou a uma única profissão. Estão corretas as afirmativas
- A)III e IV, apenas.
Diz que apenas III e IV procedem, deixando a II de fora. O problema é que a II está correta e é central: as diretrizes do Serviço Social recomendam tratar gênero e raça de forma transversal no currículo. III e IV realmente procedem, mas excluir a II torna a alternativa incompleta.
- B)I e II, apenas.
Sustenta que I e II estariam corretas. A I é falsa, pois propõe gênero e raça como disciplinas alternativas e isoladas, sem articulação com o currículo, o que contraria a própria II (transversalidade). Além disso, a alternativa ignora III e IV, que são verdadeiras.
- C)I, II e III, apenas.
Acerta ao incluir II e III, mas erra ao trazer a I, que defende o tratamento isolado do tema, e ao deixar de fora a IV. A IV é verdadeira, porque o enfrentamento das desigualdades não cabe a uma única profissão nem a ações isoladas.
- D)II, III e IV, apenas.
Reúne as três afirmativas corretas. A II porque a transversalidade é a forma recomendada de inserir gênero e raça no currículo do Serviço Social; a III porque incorporar a produção de intelectuais negros e negras é fundamental para apreender o debate sobre racismo; a IV porque o enfrentamento das desigualdades é coletivo e interprofissional. Exclui corretamente a I, que prega o isolamento do tema.
- E)I, II, III e IV.
Marca todas as afirmativas, mas a I é falsa: tratar gênero e raça em disciplinas alternativas e sem articulação com as demais contraria a abordagem transversal afirmada na II. Por isso não é possível considerar as quatro corretas.
Gabarito: D
A questão trata de como o Serviço Social deve enfrentar as desigualdades de gênero e raça sem cair na armadilha de tratá-las como assuntos “laterais” do curso ou da intervenção profissional. Hoje, o entendimento mais sólido é o de que essas desigualdades atravessam a vida social, a formação e o trabalho profissional, então não faz sentido confiná-las a disciplinas isoladas. Elas precisam aparecer de forma transversal no currículo, dialogando com a questão social, a política social, o trabalho profissional e a leitura crítica da realidade brasileira. Por isso, a afirmativa I está errada: gênero e raça não devem ficar restritos a disciplinas alternativas, porque isso fragiliza a formação e reforça a ideia de que se tratam de temas acessórios. Já a afirmativa II está correta, pois a transversalidade é exatamente o caminho para que o debate não fique “num cantinho” do currículo, mas apareça em várias disciplinas e atividades formativas. A afirmativa III também está correta. Para compreender racismo com profundidade, é fundamental incluir a produção de intelectuais negros e negras, porque isso amplia o repertório teórico, rompe com a invisibilização histórica dessas vozes e qualifica a análise crítica da realidade. A afirmativa IV também está certa: enfrentar desigualdades de gênero e raça não depende de um gesto individual nem de uma única profissão, mas de ação articulada entre políticas públicas, instituições, movimentos sociais e várias áreas do conhecimento e da prática. Assim, o gabarito é D, porque apenas I é incorreta. A lógica da questão está alinhada com a direção ético-política do Serviço Social brasileiro, que valoriza a leitura crítica das desigualdades e a defesa de direitos, especialmente em articulação com as diretrizes curriculares da ABEPSS e com o Projeto Ético-Político da profissão.