Uma das atribuições do Assistente Social é planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais. Os espaços sócio-ocupacionais configuram-se como espaços contraditórios, atravessados por relações de poder, demandando, cada vez mais, do profissional, incorporar o uso de indicadores que possibilitem a análise da complexidade das relações sociais. Com base nessa visão, é incorreto afirmar que
- A)os indicadores de raça/etnia não constituem parâmetros relevantes para o estudo das desigualdades nas relações sociais.
Errada, porque raça/etnia é um indicador central para analisar desigualdades e discriminações nas relações sociais.
- B)a incorporação de indicadores sobre o território contribui para uma melhor estruturação de programas sociais.
Certa, porque o território ajuda a localizar vulnerabilidades e a organizar melhor programas e serviços sociais.
- C)o uso de indicadores de renda é importante para compreensão do público alvo dos programas sociais.
Certa, porque a renda é um dado básico para definir perfil socioeconômico e público-alvo das políticas.
- D)indicadores de escolaridade contribuem para subsidiar ações profissionais.
Certa, porque a escolaridade é um indicador importante para planejar ações e compreender desigualdades sociais.
- E)indicadores econômicos são insuficientes para o conhecimento das situações de vulnerabilidade e risco social.
Certa, porque indicadores econômicos sozinhos não bastam para captar toda a complexidade da vulnerabilidade e do risco social.
Gabarito: A
Na análise de políticas sociais, indicadores são ferramentas para enxergar a realidade para além da impressão superficial. Eles ajudam a identificar desigualdades, mapear vulnerabilidades e orientar o planejamento, a execução e a avaliação das ações profissionais. Em Serviço Social, isso combina muito com a ideia de leitura crítica da realidade, porque os espaços sócio-ocupacionais são atravessados por classe, gênero, raça/etnia, território, escolaridade e renda. Por isso, faz todo sentido usar indicadores territoriais, econômicos, de escolaridade e de renda. Eles permitem entender quem é o público das políticas, onde estão as maiores privações e que tipo de intervenção é mais adequada. Em outras palavras: não basta saber que existe um problema, é preciso medir suas expressões concretas para agir com mais precisão. A alternativa A está incorreta porque os indicadores de raça/etnia são, sim, fundamentais para estudar desigualdades nas relações sociais. A própria literatura do Serviço Social e das políticas públicas mostra que raça/etnia é variável central para compreender exclusão, discriminação e acesso desigual a direitos. Ignorar isso é como tentar entender um mapa com metade dos nomes apagados. Então, a banca quer que você perceba que a análise social não pode ficar restrita a números soltos ou só à renda. A leitura mais completa exige indicadores múltiplos, porque a vulnerabilidade social é multidimensional e se expressa de formas diferentes na vida real.