Na atualidade, “A intencionalidade ético-política crítica e transformadora de nosso projeto de profissão é tensionada pelas demandas institucionais (...)” (Iamamoto, 2021). Essa tensão diz respeito fundamentalmente:
- A)às transformações ocorridas no interior das políticas sociais, que demandam o atrelamento do trabalho profissional à restrição de direitos;
Errada, porque o problema não se reduz a mudanças nas políticas sociais nem à simples restrição de direitos, mas à posição estrutural da profissão no trabalho assalariado.
- B)aos condicionantes objetivos da inscrição do Serviço Social na divisão social do trabalho e de seu agente como trabalhador;
Certa, porque a tensão central está nas determinações objetivas da profissão na divisão social do trabalho e na condição do assistente social como trabalhador.
- C)à ampliação do mercado de trabalho informal para o assistente social, exigindo novas atribuições e competências;
Errada, pois a ampliação do mercado informal não é o foco do argumento de Iamamoto nem o fundamento principal da tensão mencionada.
- D)às contradições apresentadas entre as condições materiais do cotidiano dos usuários e as políticas sociais ofertadas pelas instituições;
Errada, porque a oposição entre necessidades dos usuários e ofertas institucionais existe, mas é efeito da contradição maior entre projeto profissional e condições objetivas do trabalho.
- E)à limitação do trabalho do assistente social a partir das novas requisições burocráticas das instituições.
Errada, porque o texto não fala de mera limitação burocrática, e sim de uma tensão estrutural mais ampla que envolve a inserção da profissão no trabalho assalariado.
Gabarito: B
A fala da Iamamoto aponta para uma tensão clássica do Serviço Social: o projeto profissional tem direção ético-política crítica, mas o assistente social atua dentro de instituições, com regras, limites e interesses que não foram criados por ele. Em outras palavras, você não trabalha no vazio: trabalha na divisão social do trabalho, como trabalhador assalariado, submetido a demandas institucionais, metas, hierarquias e condições concretas de execução do trabalho. É por isso que a tensão não se explica apenas por uma política social específica ou por uma burocracia maior ou menor. O ponto central é estrutural: o Serviço Social nasce e se desenvolve como profissão inserida nas relações sociais capitalistas, em um espaço marcado por contradições entre o projeto profissional e as exigências do empregador e do Estado. Isso é bem coerente com a leitura de Iamamoto sobre a profissão como parte do trabalho coletivo e assalariado. O Código de Ética de 1993 reforça essa direção crítica ao afirmar valores como liberdade, defesa dos direitos e compromisso com a classe trabalhadora. Só que, na prática, esse compromisso convive com limites objetivos do trabalho institucional. A profissão quer garantir direitos e ampliar cidadania, mas muitas vezes opera em instituições que selecionam, controlam e até restringem o acesso a esses mesmos direitos. Por isso, o gabarito é a letra B: a tensão decorre fundamentalmente dos condicionantes objetivos da inscrição do Serviço Social na divisão social do trabalho e de seu agente como trabalhador. É a velha história do "querer fazer mais do que a estrutura deixa" - e no Serviço Social isso aparece o tempo todo.