“O racismo é uma decorrência da própria estrutura social, ou seja, do modo ‘normal’ com que se constituem as relações políticas, econômicas, jurídicas e até familiares, não sendo uma patologia social e nem um desarranjo institucional. O racismo é estrutural”. (Almeida, 2019, p:33). A campanha de gestão do conjunto CFESS-CRESS, “Assistentes Sociais no Combate ao racismo” teve papel central na difusão desta temática para o Serviço Social brasileiro. Assinale a afirmativa que está em desacordo com os fundamentos desta campanha.
- A)O racismo encontra-se amplamente difundido nos ambientes de trabalho, e muitas são as evidências de que a estrutura das instituições reproduz preconceitos raciais.
Correta, porque reconhece que o racismo está presente nas instituições e nas relações de trabalho, em linha com a noção de racismo estrutural e institucional.
- B)No caso do direito à saúde, um dos exemplos de racismo institucional mais recorrentes é o descaso no preenchimento do quesito raça/cor, por meio dos Sistemas de Informação de Natalidade, de Mortalidade e de Agravos de NotificaçãoAdoecimento.
Correta, porque o preenchimento do quesito raça/cor nos sistemas de saúde é uma medida essencial de enfrentamento ao racismo institucional e de produção de dados para políticas públicas.
- C)A inexistência de raças é considerada atualmente uma verdade científica já comprovada. A miscigenação brasileira é uma evidência de combate ao racismo e afirmação da democracia racial.
Errada, porque a inexistência de raças humanas não autoriza falar em democracia racial, e a miscigenação brasileira não é prova de superação do racismo.
- D)O desconhecimento dos mecanismos legais antirracistas reflete a falta de prioridade de combater essas condutas, colocando o racismo institucional na “conta” da impunidade geral do país.
Correta, porque aponta a baixa prioridade dada ao enfrentamento das práticas antirracistas e a naturalização da impunidade institucional.
- E)Como ação de enfrentamento ao racismo, cabe atualizar as informações sobre a população segundo raça/cor e sexo/ identidade de gênero – preferencialmente provocando essa questão como uma ação institucional e/ou da equipe.
Correta, porque atualizar dados por raça/cor e sexo/identidade de gênero é uma ação concreta de enfrentamento e visibilização das desigualdades.
Gabarito: C
A campanha do conjunto CFESS-CRESS sobre combate ao racismo parte da ideia de que o racismo não é um acidente isolado nem um problema de “mau comportamento” individual: ele está entranhado nas relações sociais, nas instituições e nas políticas públicas. No Serviço Social, isso exige olhar crítico para como o racismo aparece no acesso a direitos, no atendimento e até nos registros e indicadores usados no trabalho cotidiano. Por isso, a campanha valoriza ações concretas, como qualificar o registro de raça/cor, identificar desigualdades e enfrentar práticas institucionais que reproduzem discriminação. A lógica é bem objetiva: se o racismo é estrutural, o enfrentamento também precisa ser estrutural, institucional e permanente, e não só “boa vontade” de cada pessoa. A alternativa C está errada porque mistura conceitos superados como a ideia de “raças humanas” e de democracia racial. A ciência já rejeita a noção biológica de raças humanas, mas isso não significa dizer que o racismo acabou. Muito pelo contrário: no Brasil, a miscigenação não eliminou o racismo, e muitas vezes serviu para escondê-lo. Então usar miscigenação como prova de combate ao racismo é um erro clássico. As demais alternativas dialogam com o material da campanha: racismo institucional, falhas no preenchimento de raça/cor, desconhecimento dos mecanismos legais e necessidade de ações institucionais de enfrentamento. Em concurso, quando a questão fala de racismo estrutural no Serviço Social, desconfie de frases que tentam vender “harmonia racial” como se fosse realidade automática.