No texto “Os espaços sócio-ocupacionais do Assistente Social”, Iamamoto enfatiza a tensão expressa no trabalho controlado e submetido ao poder do empregador, no atendimento às demandas dos sujeitos de direitos e na relativa autonomia do profissional para perfilar o seu trabalho. Considerando essa tensão inerente ao trabalho profissional, assinale a formulação que diverge da reflexão apresentada pela autora.
- A)O assistente social, ao atuar na intermediação entre as demandas da população usuária e o acesso aos serviços sociais, coloca-se necessariamente como representante dos interesses de quem detém o poder econômico.
Errada, porque o assistente social nao representa necessariamente os interesses de quem detém o poder econômico, mas atua na defesa de direitos e no atendimento às demandas dos usuários.
- B)O trabalho do assistente social encontra-se sujeito a um conjunto de determinantes externos que fogem ao seu controle e colocam limites ao projeto profissional coletivo.
Certa, porque o trabalho profissional sofre determinações externas e institucionais que limitam a autonomia e o projeto coletivo.
- C)Alargar as possibilidades de condução do trabalho profissional exige estratégias que ampliem bases de apoio no espaço ocupacional e na interação com segmentos organizados da sociedade civil que se movem pelos mesmos princípios éticos e políticos.
Certa, pois Iamamoto defende estratégias de articulação e apoio para ampliar as possibilidades do trabalho profissional.
- D)Ainda que haja necessidade de cumprir requisitos de produtividade e de eficiência, além das pressões de prazos e das rotinas, os agentes profissionais podem agir em razão de sua competência e de sua força política.
Certa, já que existem exigências de produtividade e controle, mas o profissional ainda dispõe de competência e força política para intervir.
- E)Faz-se necessário estimular a criação de mecanismos passíveis de desburocratizar as relações com os sujeitos que reivindicam direitos e serviços.
Certa, porque desburocratizar o atendimento é coerente com uma prática voltada à garantia de direitos e ao acesso aos serviços.
Gabarito: A
Igamamoto chama atenção para uma tensão central no trabalho do assistente social: voce atua dentro de uma instituição, com regras, metas, hierarquias e controle do empregador, mas ao mesmo tempo precisa responder a sujeitos de direitos, defender acesso a serviços e sustentar o projeto ético-politico da profissão. Ou seja, o trabalho nao acontece em um “campo livre”, e sim em um espaço atravessado por interesses muitas vezes diferentes. A autonomia profissional existe, mas é relativa: ela depende das condições institucionais, da correlação de forças no local de trabalho e da capacidade de articulação politica da categoria. Por isso, quando a questão pede a formulação que diverge da autora, o ponto mais estranho é a ideia de que o assistente social, ao intermediar as demandas da população usuária e o acesso aos serviços, se coloca necessariamente como representante de quem detém o poder econômico. Isso contraria frontalmente a direção crítica do Serviço Social brasileiro, especialmente a partir do projeto ético-politico profissional, que se vincula à defesa dos direitos, da cidadania e dos interesses da classe trabalhadora, e nao à representação dos interesses do capital. As demais alternativas conversam com a leitura de Iamamoto: existem limites externos ao trabalho, é preciso ampliar apoios no espaço ocupacional, a rotina institucional impõe produtividade e eficiencia, mas ainda assim o profissional pode acionar sua competência, sua organização coletiva e sua força política para ampliar margens de atuação. Em resumo: o serviço social nao trabalha no piloto automático do patrão, mas também nao faz mágica fora das condições concretas do emprego.