A autonomia profissional se define a partir da correlação de forças econômicas, políticas e culturais em nível societário e se expressa, de forma particular, nos distintos espaços ocupacionais construídos na relação com sujeitos sociais determinados. Em relação ao trabalho do Assistente Social em empresas, assinale a afirmativa correta.
- A)As margens de autonomia profissional nas empresas contam com um respaldo coletivo da categoria para a definição do perfil da profissão: valores que a orientam, competências teórico-metodológicas e operativas e prerrogativas legais necessárias à sua implementação.
Certa: reconhece que a autonomia profissional depende do respaldo coletivo da categoria, de seus fundamentos ético-políticos, competências e base legal.
- B)O projeto de intervenção profissional do Assistente Social nas empresas é mais qualificado e eticamente responsável em virtude da jornada de trabalho e do salário pactuado.
Errada: jornada e salário podem influenciar as condições de trabalho, mas não tornam a intervenção automaticamente mais qualificada ou eticamente responsável.
- C)A intervenção do Assistente Social em empresas é voltada para a mobilidade social do trabalhador, ao instituir programas de participação nos lucros, transformando parte dos/as trabalhadores/as em acionistas.
Errada: programas de participação nos lucros não têm como finalidade própria a mobilidade social nem transformam trabalhadores em acionistas como eixo da intervenção profissional.
- D)A autonomia do Assistente Social em instituições públicas é maior em virtude de seu trabalho não estar implicado pelas relações sociais capitalistas.
Errada: no setor público também existem limites institucionais e relações sociais capitalistas, então a autonomia não é maior por simples afastamento dessas relações.
- E)No ambiente empresarial, o Assistente Social opera exclusivamente os interesses do capital em detrimento dos da classe trabalhadora.
Errada: o assistente social na empresa não atua exclusivamente para o capital; sua prática envolve mediações e defesa de direitos dentro de um campo contraditório.
Gabarito: A
Quando o assunto é Serviço Social na empresa, a ideia central não é romantizar o espaço corporativo, mas entender que a atuação do assistente social acontece dentro de uma correlação de forças. Ou seja: a autonomia profissional existe, mas é sempre relativa, porque sofre influência das condições institucionais, das relações de poder e dos limites do próprio trabalho assalariado. Por isso, a profissão não é definida apenas pelo “lugar” onde atua, e sim pelo seu projeto ético-político, pelas competências teórico-metodológicas, técnico-operativas e ético-políticas, e também pelas garantias legais da profissão, especialmente a Lei 8.662/1993, que regula a profissão, e o Código de Ética de 1993. Esses elementos dão sustentação coletiva ao exercício profissional, inclusive em empresas. No ambiente empresarial, o assistente social pode atuar em benefícios, relações de trabalho, saúde do trabalhador, mediação de demandas sociais e ações de responsabilidade social, mas isso não significa que sua prática seja simplesmente subordinada ao capital nem que perca toda autonomia. Há sempre disputa de interesses e espaço para intervenção crítica, ainda que com limites. É exatamente isso que a alternativa A capta: as margens de autonomia do assistente social nas empresas não surgem do nada, mas do respaldo coletivo da categoria, de seus valores, competências e prerrogativas legais. As demais opções escorregam em exageros ou simplificações que ignoram a natureza contraditória da inserção profissional no mundo do trabalho.