Ao longo da história do Serviço Social brasileiro, diferentes terminologias foram utilizadas para caracterizar o público-alvo do trabalho do assistente social. Atualmente, fundamentado em uma perspectiva crítica de análise da sociedade, com base na Lei Orgânica de Assistência Social, os integrantes desse público são classificados como
- A)desajustados.
Errada: "desajustados" remete a uma visão moralizante e antiga, incompatível com a perspectiva de direitos da assistência social.
- B)desvalidos.
Errada: "desvalidos" é uma expressão histórica e assistencialista, hoje superada pela lógica da proteção social e cidadania.
- C)usuários.
Certa: na atual concepção da LOAS e do Serviço Social crítico, quem acessa a política de assistência social é chamado de usuário.
- D)miseráveis.
Errada: "miseráveis" é termo estigmatizante e ultrapassado, associado a uma leitura caritativa da pobreza.
- E)clientes.
Errada: "clientes" não é a terminologia adequada na política de Assistência Social, pois sugere relação de consumo, e não de direito.
Gabarito: C
Na história do Serviço Social brasileiro, foi comum usar termos como "desvalidos", "miseráveis" ou "clientes" para nomear quem recebia atendimento. Isso faz parte de uma fase mais assistencialista e menos crítica, quando o foco estava muito ligado à carência individual e à ajuda pontual. Hoje, com a virada crítica da profissão e a consolidação da Assistência Social como política pública, essa visão mudou bastante. Pela Lei Orgânica da Assistência Social, a LOAS (Lei 8.742/1993), a assistência social é direito do cidadão e dever do Estado, organizada para quem dela necessitar. Nesse contexto, a pessoa atendida deixa de ser vista como "favor" ou "objeto de caridade" e passa a ser reconhecida como sujeito de direitos. Por isso, a terminologia adequada é a de "usuários". Esse vocabulário não é só detalhe de linguagem: ele revela a forma como a política pública enxerga seu público. Chamar de usuário significa reconhecer vínculo com um serviço público, e não com caridade, tutela ou estigma. É a linguagem da cidadania, bem mais elegante do que as expressões antigas que carregavam preconceito. Logo, o gabarito é a letra C, porque, na perspectiva atual da Assistência Social e do Serviço Social crítico, o público atendido é composto por usuários dos serviços, benefícios, programas e projetos socioassistenciais.