De acordo com Alfredo Batista (2020), durante a década de 1990, dois movimentos colocaram os assistentes sociais em situação diferenciada. São eles:
- A)amadurecimento do referencial teórico-metodológico e éticopolítico que sustenta o projeto hegemônico da profissão; e refração do Serviço Social devido às transformações societárias na produção material e reprodução social;
Correta, porque expressa o amadurecimento do projeto profissional e o impacto das mudanças societárias sobre a atuação do Serviço Social nos anos 1990.
- B)superação do tradicionalismo e do conservadorismo teórico-metodológico pela vanguarda da categoria; e abandono do trabalho institucional a partir da vertente que prioriza as políticas sociais;
Errada, porque não houve abandono do trabalho institucional, mas sim sua ressignificação crítica dentro das políticas sociais e dos espaços institucionais.
- C)reconhecimento da assistência social como estruturante da prática profissional; e constituição do Projeto Ético-Político do Serviço Social;
Errada, porque a assistência social é importante, mas não é apresentada como o primeiro movimento central dos anos 1990 nessa formulação.
- D)vinculação da profissão às pautas e bandeiras dos movimentos sociais e sindicatos; e precarização crescente das condições de trabalho e de salário a partir do Terceiro Setor;
Errada, porque mistura elementos reais do período com uma leitura parcial, sem captar os dois movimentos apontados por Alfredo Batista.
- E)compreensão do papel social da profissão e sua relação medular com a classe trabalhadora; e consolidação dos pressupostos da vertente modernizadora.
Errada, porque a profissão não se consolida com os pressupostos da vertente modernიზadora, e sim com o avanço de um projeto crítico e ético-político.
Gabarito: A
Na década de 1990, o Serviço Social brasileiro viveu um momento de consolidação e também de tensão. De um lado, a profissão amadureceu seu referencial teórico-metodológico e ético-político, com forte influência do projeto profissional crítico construído desde os anos 1980. Isso significa que o Serviço Social passou a ter uma base mais consistente para defender direitos, analisar a realidade social com mais profundidade e sustentar o chamado projeto hegemônico da profissão. De outro lado, esse avanço ocorreu junto com mudanças societárias muito duras: reestruturação produtiva, desemprego, precarização do trabalho e reformulações no papel do Estado. Nesse cenário, o Serviço Social foi diretamente afetado, porque a demanda por sua atuação cresceu justamente em meio a políticas sociais mais restritivas e a novas formas de gestão da questão social. Ou seja, a profissão ganhou mais densidade crítica, mas também enfrentou novas pressões no cotidiano institucional. É por isso que a letra A está correta: ela junta esses dois movimentos da década de 1990, o amadurecimento do projeto profissional e a refração do Serviço Social diante das transformações na produção material e na reprodução social. Em outras palavras, a categoria avançou teoricamente, mas teve de responder a um mundo do trabalho mais duro e a um Estado mais seletivo. Esse entendimento dialoga com a tradição crítica do Serviço Social brasileiro, especialmente com a construção do Projeto Ético-Político e com a leitura marxiana da questão social, muito presente na produção doutrinária da área.