O tema da responsabilidade social empresarial é de importância para o universo corporativo e pressupõe algumas tomadas de posição com implicações éticas. As opções a seguir são convergentes com os princípios éticos do Serviço Social, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Respeito ao Estado de direito.
Certa, porque o respeito ao Estado de direito é compatível com a ética do Serviço Social e com a responsabilidade social empresarial.
- B)Práticas alinhadas com os Direitos Humanos.
Certa, pois práticas alinhadas aos Direitos Humanos estão no centro dos princípios éticos da profissão.
- C)Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população.
Certa, já que a qualidade dos serviços prestados à população dialoga com a defesa do acesso digno e eficiente aos direitos sociais.
- D)Criação e manutenção de mecanismos para facilitar a denúncia de comportamento antiético.
Certa, porque mecanismos de denúncia de condutas antiéticas fortalecem transparência, controle e responsabilidade institucional.
- E)Estímulo ao empreendedorismo e à emancipação pessoal pelo trabalho.
Errada, pois transforma a responsabilidade social em incentivo ao empreendedorismo e à emancipação individual pelo trabalho, ideia que não se harmoniza com a crítica do Serviço Social às desigualdades estruturais.
Gabarito: E
A responsabilidade social empresarial conversa com ética, mas não é sinônimo de discurso bonito na parede. Quando a empresa fala em responsabilidade social, espera-se coerência com direitos, transparência, respeito institucional e mecanismos reais de controle de conduta. Isso combina com os princípios do Projeto Ético-Político do Serviço Social, especialmente o compromisso com a democracia, com a cidadania e com a defesa intransigente dos direitos humanos. Na prática, isso significa apoiar o Estado de direito, respeitar normas, proteger pessoas e criar canais para que irregularidades sejam denunciadas sem maquiagem corporativa. Também faz sentido valorizar a qualidade dos serviços prestados à população, porque o Serviço Social não trabalha com a lógica do improviso elegante: trabalha com acesso a direitos e com qualidade no atendimento. A alternativa que foge desse conjunto é a que transforma responsabilidade social em estímulo ao empreendedorismo como solução ética universal e em emancipação pessoal pelo trabalho. Esse raciocínio é problemático porque reduz questões sociais complexas a esforço individual e reforça uma visão meritocrática, pouco compatível com a crítica do Serviço Social às desigualdades estruturais. Em vez de responsabilizar o sujeito isoladamente, o campo profissional olha para as condições concretas de vida e para a garantia de direitos. Então, o gabarito é a letra E porque ela desloca a responsabilidade social para uma lógica de autossuperação individual, enquanto os princípios éticos do Serviço Social apontam para proteção social, direitos humanos, justiça social e enfrentamento das desigualdades. Como reforço doutrinário, vale lembrar o Código de Ética do Assistente Social e a tradição crítica da profissão, que não tratam o trabalho como solução moral automática para problemas sociais.