Tendo como pressuposto que o Serviço Social assume uma nova direção social a partir dos anos 1980, Mioto (2009) propõe pensar o Estudo Social a partir de dois pontos fundamentais:
- A)reificação e privilégio da dimensão da técnica; e observância aos objetivos postos pelas instituições;
Errada, porque reduz o Estudo Social à técnica e ao atendimento dos interesses institucionais, o que contraria a perspectiva crítica da profissão.
- B)interpretação das demandas postas pelos indivíduos; e redimensionamento que a perspectiva crítico-dialética exige da ação profissional no seu alcance e direcionalidade;
Certa, pois destaca a interpretação das demandas dos usuários e o redimensionamento da ação profissional pela perspectiva crítico-dialética.
- C)atestado da veracidade dos fatos narrados nas situações apresentadas pelos usuários; e ruptura com a postura fatalista de assumir práticas disciplinadoras de comportamentos;
Errada, porque trata o Estudo Social como simples confirmação de fatos e ainda o associa a uma postura disciplinadora, afastando-se da direção crítica.
- D)construção de um conhecimento sobre os possíveis problemas do indivíduo; e proposição de um tratamento social para orientar futuras ações do sujeito;
Errada, porque transforma o Estudo Social em um levantamento de problemas individuais e em proposta de tratamento social, uma visão mais tradicional e conservadora.
- E)resolução das questões jurídicas pela impositividade; e indicação de alternativas para a população atendida.
Errada, porque traz uma lógica impositiva e juridicizante, incompatível com o caráter analítico e interventivo do Estudo Social no Serviço Social.
Gabarito: B
O Estudo Social, no Serviço Social, não é só um relatório bonito para “cumprir tabela”. Ele é um instrumento técnico-político que ajuda a compreender a realidade concreta do usuário, suas demandas, sua inserção social e os determinantes que atravessam aquela situação. Depois da virada crítica dos anos 1980, a profissão passa a olhar menos para a pessoa isolada e mais para as relações sociais que produzem aquela demanda. É nesse ponto que Mioto (2009) propõe repensar o Estudo Social em dois eixos fundamentais: primeiro, interpretar as demandas apresentadas pelos indivíduos, sem cair numa leitura rasa ou moralizante; segundo, redimensionar a ação profissional a partir da perspectiva crítico-dialética, ampliando alcance, direção e sentido da intervenção. Em outras palavras, não basta descrever o caso, é preciso entendê-lo dentro da totalidade social. Por isso o gabarito é a letra B. Ela traduz exatamente essa mudança de direção: o Estudo Social deixa de ser um simples atestado de fatos ou uma peça de controle institucional e passa a ser um meio de leitura crítica da realidade, orientando uma intervenção mais qualificada e comprometida com direitos. Se a prova quiser te confundir, ela costuma misturar o Estudo Social com funções de verificação, disciplina ou tratamento do indivíduo como se o problema estivesse só na pessoa. A lógica crítica do Serviço Social vai no caminho oposto: compreender a demanda em sua complexidade e agir com base nessa leitura.