Marilda Iamamoto, em um texto de 2011, faz uma crítica ao ensino da prática ser considerado muitas vezes como o ‘patinho feio’ no debate acadêmico. Segundo ela, “tem sido encarado como área residual, pouco valorizada, que dispensaria maior formação intelectual por parte dos docentes, pela sua proximidade imediata com a experiência cotidiana”. Assinale a opção que se alinha ao pensamento crítico da autora em relação ao tema.
- A)A dimensão teórico-metodológica é superior às demais dimensões na formação profissional do Assistente Social.
Errada, porque a dimensão teórico-metodológica não é superior às demais; ela precisa se articular com as dimensões técnico-operativa e ético-política.
- B)A perspectiva ético-política é natural aos profissionais que optam por esta profissão devido à sua identidade com os temas da profissão.
Errada, porque a perspectiva ético-política não é natural nem automática, mas construída na formação e no exercício profissional.
- C)Os instrumentos técnico-operativos são os que, de fato, são usados nas atividades profissionais do Assistente Social, por isso merecem maior destaque em detrimento dos fundamentos.
Errada, porque os instrumentos técnico-operativos são importantes, mas não podem ser valorizados em detrimento dos fundamentos teóricos e éticos.
- D)A competência teórico-metodológica, técnico-operativa e ético-política são requisitos fundamentais que permitem ao profissional colocar-se diante das situações com as quais se defronta, vislumbrando com consistência os projetos societários, seus vínculos de classe e seu próprio processo de trabalho.
Certa, porque expressa a articulação entre competências teórico-metodológica, técnico-operativa e ético-política como base da atuação crítica do assistente social.
- E)O ensino da prática deve ser ofertado por profissionais de diferentes formações para compensar as eventuais deficiências intelectuais.
Errada, porque o ensino da prática não deve ser compensado por formações diversas, e sim fundamentado criticamente no próprio campo do Serviço Social.
Gabarito: D
Marilda Iamamoto critica a ideia de que a prática no Serviço Social seria uma parte menor, quase um “apêndice” da formação. Para ela, isso é um erro porque a atuação profissional não se sustenta só no “fazer” imediato: ela exige leitura crítica da realidade, domínio de fundamentos teórico-metodológicos, direção ético-política e capacidade técnico-operativa. Ou seja, a prática não é improviso nem receita pronta; ela é trabalho profissional qualificado. No Serviço Social, essas dimensões não competem entre si como se uma fosse rainha e as outras coadjuvantes. Elas se articulam o tempo todo. A teoria ajuda a compreender a sociedade e a questão social; a ética orienta a finalidade e os limites da intervenção; e a técnica organiza os instrumentos e procedimentos do cotidiano profissional. É exatamente esse raciocínio que aparece na alternativa D. Ela reconhece que a competência teórico-metodológica, técnico-operativa e ético-política é fundamental para que o assistente social analise as situações concretas, perceba os projetos societários em disputa, entenda os vínculos de classe e compreenda o próprio processo de trabalho. Isso conversa diretamente com a tradição crítica do Serviço Social brasileiro, especialmente com Iamamoto, que insiste na centralidade do trabalho profissional inserido nas relações sociais. As demais opções caem em armadilhas clássicas: ou supervalorizam uma dimensão e diminuem as outras, ou tratam a ética como algo naturalizado, ou reduzem a profissão a técnica. Em prova, quando aparecer essa conversa de “patinho feio”, desconfie de respostas que menosprezem a formação intelectual ou que separem teoria, ética e técnica como se fossem gavetas isoladas.