A família para os serviços de saúde, passa a ser evocada como sujeito fundamental no processo de cuidado. Mioto (2015) Para a autora, as famílias devem assumir a principal responsabilidade pelo bem-estar de seus membros. Assinale a opção que contradiz a perspectiva familista.
- A)Ao Estado deve corresponder uma menor provisão de bemestar.
Correta na lógica familista, porque reduz a provisão estatal e desloca o peso do bem-estar para a família.
- B)O bem-estar deve depender das possibilidades de manejo que as famílias têm de diferentes recursos.
Correta na lógica familista, pois faz o bem-estar depender da capacidade que a família tem de mobilizar seus próprios recursos.
- C)O conhecimento torna possível realizar o tensionamento dessa perspectiva, que impacta as famílias mais empobrecidas.
Errada na lógica familista, porque questiona essa visão e mostra que o conhecimento pode tensionar seus efeitos sobre famílias empobrecidas.
- D)A centralidade da categoria cuidado, no âmbito das políticas de proteção social, reforça a primazia da família em detrimento do Estado.
Correta na lógica familista, já que coloca a família no centro do cuidado e enfraquece a primazia do Estado.
- E)Para a realização do cuidado, a família deve contar preferencialmente com o trabalho e a dedicação das mulheres.
Correta na lógica familista, pois pressupõe que o cuidado deve recair preferencialmente sobre o trabalho das mulheres dentro da família.
Gabarito: C
A perspectiva familista aparece quando a política social empurra para a família a maior parte da responsabilidade pelo cuidado, como se ela fosse a primeira e quase única “rede de proteção”. Nessa lógica, o Estado entra menos, oferece menos provisão e espera que a família resolva o que puder com seus próprios recursos, em especial em contextos de maior vulnerabilidade. Isso costuma atingir com mais força as famílias mais empobrecidas, que já vivem com menos acesso a renda, serviços e suporte institucional. Na área da saúde, Mioto critica exatamente esse movimento de transformar a família em sujeito principal do cuidado sem a correspondente ampliação da responsabilidade estatal. O cuidado passa a ser naturalizado dentro do lar, como se fosse obrigação moral da família, e não parte de uma política pública universal. É aí que entram tensões importantes: quem cuida, com que recursos, e em que condições? O gabarito é a letra C porque ela não reforça a lógica familista; ao contrário, aponta o conhecimento como instrumento de crítica e de tensionamento dessa perspectiva, especialmente quando ela recai de forma injusta sobre as famílias mais pobres. As demais alternativas combinam com a ideia de que a família deve assumir o cuidado e de que o Estado recua. Em termos de SUS e proteção social, isso contraria o princípio de responsabilidade pública e universalidade que deveria sustentar o cuidado.