No entender de Lisboa & Pinheiro (2005), duas categorias são importantes para a compreensão da temática da violência contra a mulher:
- A)família e patriarcado;
Errada, porque família e patriarcado são conceitos relacionados ao tema, mas não são as duas categorias indicadas por Lisboa e Pinheiro.
- B)gênero e poder;
Certa, porque gênero e poder são as categorias centrais para compreender a violência contra a mulher como fenômeno social e relacional.
- C)dominação e controle;
Errada, porque dominação e controle descrevem efeitos ou dinâmicas da violência, mas não são a formulação citada pela referência.
- D)machismo e sexismo;
Errada, porque machismo e sexismo ajudam a caracterizar atitudes discriminatórias, mas não são as categorias teóricas apontadas no enunciado.
- E)afeto e dependência.
Errada, porque afeto e dependência podem aparecer em relações abusivas, mas não explicam a base estrutural da violência contra a mulher.
Gabarito: B
A violência contra a mulher não aparece do nada, nem é só um conflito doméstico isolado. Na leitura de Lisboa e Pinheiro (2005), para entender esse fenômeno você precisa olhar para as relações sociais que o sustentam, especialmente as desigualdades entre homens e mulheres. Ou seja: não é sobre um caso individual, mas sobre uma estrutura social que organiza quem manda, quem obedece e quem é silenciado. Por isso, duas categorias-chave são gênero e poder. Gênero ajuda a mostrar que muitos papéis atribuídos a homens e mulheres são construções sociais, e não algo “natural”. Já poder explica como essas diferenças viram dominação, controle e submissão no cotidiano, inclusive dentro da família, do trabalho e dos relacionamentos. É exatamente aí que o gabarito B se encaixa. A violência de gênero nasce e se mantém quando há relações desiguais de poder entre os sexos, algo que também conversa com a lógica da Lei Maria da Penha, que trata a violência contra a mulher como violência baseada no gênero e reconhece sua dimensão estrutural. Então, quando a banca cita Lisboa e Pinheiro, pense em análise crítica: não basta olhar o ato violento em si; é preciso enxergar a relação de desigualdade que o produz e o alimenta. É a velha história: o problema não é só o que aconteceu, mas a posição social que permitiu acontecer.