Ao estudar o trabalho do Serviço Social com famílias, Duarte (2018) analisa algumas perspectivas que colidem com o projeto profissional do Serviço Social. Uma delas – perspectiva de endogeneização das famílias – tem como característica
- A)a busca de recursos internos da família como chave analítica para o trabalho social.
Correta, porque expressa a endogeneização ao tomar os recursos internos da família como principal chave de análise.
- B)a desresponsabilização da família pela situação social e econômica na qual se encontra.
Errada, porque não se trata de desresponsabilizar a família, mas de atribuir centralidade excessiva ao seu interior.
- C)o acolhimento de cada integrante da família em sua singularidade.
Errada, porque acolher a singularidade dos membros é uma postura de cuidado, não a marca da endogeneização.
- D)a psicologização das relações familiares e sociais a ela adjacentes.
Errada, porque psicologização é outra crítica possível, mas não define especificamente a perspectiva de endogeneização.
- E)o entendimento da família como um todo integrado e harmônico.
Errada, porque essa visão harmônica e integrada se aproxima mais de uma idealização da família do que da endogeneização.
Gabarito: A
Quando Duarte fala em perspectivas que colidem com o projeto profissional do Serviço Social, ele está apontando leituras da família que acabam reduzindo a análise social a um recorte estreito demais. No caso da perspectiva de endogeneização das famílias, a família passa a ser vista como se a chave explicativa estivesse principalmente dentro dela, nos seus próprios recursos, dinâmicas e capacidades internas. Em outras palavras, é como se o problema e a solução morassem só “dentro de casa”, deixando em segundo plano as determinações sociais, econômicas e políticas que atravessam aquela família. Isso entra em choque com o projeto ético-político do Serviço Social, que exige leitura crítica da totalidade social e não uma visão que responsabiliza ou romantiza a família isoladamente. Por isso, o gabarito é a letra A: a perspectiva de endogeneização busca os recursos internos da família como chave analítica para o trabalho social. A ideia é justamente essa focalização no interior da família, como se ali estivesse o centro da explicação e da intervenção. Na prática profissional, essa redução é perigosa porque pode levar a intervenções moralizantes ou psicologizantes, deixando de lado a proteção social e a rede de direitos. Em políticas voltadas à criança, ao adolescente e à família, o olhar precisa considerar a família em sua relação com território, renda, trabalho, acesso a serviços e violação de direitos, e não apenas como um “mundo fechado” em si mesma.