Na aplicação dos pressupostos éticos do Serviço Social na prática profissional, o princípio da ampliação da cidadania impõe ao Assistente Social o desafio de articular
- A)a relação teoria-prática, a fim de que a primeira não se sobreponha à segunda, gerando uma ação distorcida da realidade.
Errada, porque reduz o debate ético a uma discussão genérica sobre teoria e prática, sem tocar na ampliação da cidadania.
- B)o estabelecimento de critérios para acesso aos programas e políticas sociais que sejam o reflexo das demandas colocadas pelos usuários.
Errada, porque fala de critérios de acesso a programas, mas isso não expressa a articulação política exigida pelo princípio da cidadania.
- C)as mediações necessárias para a gestão dos recursos públicos disponíveis em consonância com a missão institucional.
Errada, porque privilegia a gestão dos recursos institucionais e não a defesa ampliada dos direitos sociais dos usuários.
- D)as estratégias de intervenção na dinâmica institucional com a dos sujeitos coletivos que lutam pela ampliação dos direitos sociais.
Certa, porque relaciona a intervenção profissional com os sujeitos coletivos que lutam pela ampliação dos direitos sociais.
- E)o conhecimento sobre a correlação de forças presente na instituição, os programas oferecidos por ela e o cotidiano dos usuários.
Errada, porque trata de conhecimento institucional e cotidiano dos usuários, mas não expressa a dimensão política da ampliação da cidadania.
Gabarito: D
O princípio da ampliação da cidadania, no Serviço Social, conversa diretamente com o compromisso ético-político da profissão com a liberdade, a democracia e a universalização dos direitos. Em outras palavras, o Assistente Social não atua só para “administrar” demandas, mas para fortalecer a participação dos usuários e a luta coletiva por direitos. Isso aparece com força no Código de Ética de 1993, especialmente nos princípios ligados à ampliação e consolidação da cidadania e à defesa intransigente dos direitos humanos e sociais. Na prática, esse princípio pede mais do que boa vontade: exige que voce articule o trabalho institucional com as lutas sociais mais amplas. Não basta conhecer a política interna do serviço ou distribuir benefício de forma burocrática. O foco é conectar a intervenção cotidiana com os sujeitos coletivos, movimentos sociais e formas de organização que buscam ampliar direitos e acesso real às políticas públicas. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela é a única que traduz essa ideia de articulação entre a intervenção profissional e a luta coletiva pela ampliação dos direitos sociais. É exatamente o tipo de raciocínio que a FGV gosta de cobrar: ela pega um princípio ético e pede para voce reconhecer sua tradução prática, não apenas uma definição bonita de manual. As demais alternativas escorregam para temas importantes, mas que não respondem ao núcleo da pergunta. A questão não está falando de mera gestão institucional, nem de critérios de acesso, nem de uma reflexão abstrata sobre teoria e prática. O centro é cidadania como participação e ampliação de direitos, com atuação profissional ligada aos sujeitos coletivos.