É no cotidiano da prática profissional que assistentes sociais atribuem significado às atividades que realizam. O papel da teoria na construção das ações profissionais está relacionado:
- A)à natureza teleológica do Serviço Social, que impõe categoricamente a adesão a um projeto teóricometodológico de cunho ético e moral;
Errada, porque reduz a teoria a um dever moral e teleológico, quando o papel dela é explicar e orientar a intervenção profissional, não impor adesão ética-moral como regra exclusiva.
- B)ao arsenal teórico-metodológico que respalde uma prática profissional voltada a um padrão interventivo capaz de atingir resultados objetivos;
Errada, porque valoriza o respaldo teórico-metodológico, mas limita a teoria a produzir resultados objetivos, deixando de lado o caráter mediador e interpretativo que a questão cobra.
- C)ao fato de que os processos e relações com os quais os assistentes sociais se defrontam no cotidiano sempre serão ressignificados pela mediação do senso comum;
Errada, porque atribui o sentido da prática ao senso comum, mas a questão destaca justamente a mediação teórica e conceitual, e não a simples ressignificação espontânea do cotidiano.
- D)às mediações técnico-instrumentais e ao domínio de habilidades específicas que engendre práticas pautadas na racionalidade;
Errada, porque desloca o foco para habilidades técnicas e racionalidade instrumental, quando o enunciado fala do papel da teoria na construção das ações profissionais.
- E)ao fato de que práticas profissionais são sempre mediadas por abstrações conceituais, conscientemente internalizados ou não.
Certa, porque mostra que a prática profissional é sempre atravessada por abstrações conceituais, de forma explícita ou implícita, orientando a leitura da realidade e a intervenção.
Gabarito: E
Na prática do Serviço Social, a teoria não fica “decorando a estante”: ela ajuda você a interpretar a realidade, dar sentido ao que acontece no cotidiano e orientar a intervenção profissional. Em outras palavras, o assistente social não age só por técnica ou por boa vontade - ele lê a realidade com base em referências teóricas que organizam a compreensão dos fatos. Isso é importante porque a prática profissional é sempre mediada por ideias, conceitos e categorias que podem estar claras ou até meio implícitas no raciocínio de quem atua. Mesmo quando o profissional não nomeia a teoria o tempo todo, ele está operando com alguma forma de abstração conceitual para selecionar prioridades, analisar demandas e definir respostas. Por isso, o gabarito é a letra E. Ela acerta ao dizer que as práticas profissionais são mediadas por abstrações conceituais, conscientemente internalizadas ou não. Essa é uma leitura coerente com a tradição crítica do Serviço Social, que entende a teoria como mediação para compreender a realidade social e qualificar a ação profissional, e não como enfeite intelectual. As demais alternativas tentam puxar a questão para um sentido mais técnico, moral ou instrumental, mas o ponto central aqui é epistemológico: a ação profissional sempre passa por uma elaboração teórica, ainda que nem sempre explícita.