O consumo de psicoativos está presente em praticamente todas as áreas de atuação do assistente social, tendo este profissional a competência para formular análises e responder às demandas apresentadas pelos usuários. Nesse sentido, cabe ao assistente social
- A)construir, em conjunto com a família do usuário, o melhor tratamento a ser realizado.
Errada, porque o assistente social não define tratamento médico nem substitui a equipe de saúde na escolha terapêutica.
- B)contribuir com a superação de preconceitos e de perspectivas moralizantes.
Certa, pois o papel do assistente social inclui enfrentar preconceitos, reduzir estigmas e evitar leituras moralizantes sobre o usuário.
- C)encaminhar o usuário para a Comunidade Terapêutica mais próxima de sua residência.
Errada, porque encaminhamento obrigatório para comunidade terapêutica não é atribuição exclusiva nem resposta automática do Serviço Social.
- D)verificar, no ato do atendimento, se se trata de uma situação de consumo individual ou de tráfico.
Errada, porque o atendimento não deve se transformar em triagem policial para diferenciar consumo de tráfico.
- E)orientar a utilização de metadona, caso o usuário deseje este método.
Errada, porque orientar uso de metadona é ato vinculado à área da saúde, não uma atribuição própria do Serviço Social.
Gabarito: B
Na abordagem do uso de psicoativos, o assistente social não atua como médico, terapeuta ou agente de polícia. O foco do Serviço Social é analisar a realidade do usuário, seus vínculos familiares e comunitários, e enfrentar as expressões da questão social sem cair em julgamento moral. Em outras palavras: menos sermão, mais direitos. Por isso, uma postura correta é ajudar a romper estigmas e leituras moralizantes sobre o consumo de substâncias. O profissional deve reconhecer que a demanda pode envolver vulnerabilidade social, violência, pobreza, ruptura de vínculos, saúde mental e acesso a políticas públicas, articulando a rede de proteção social. Esse entendimento conversa com o Projeto Ético-Político do Serviço Social, especialmente com os princípios de defesa intransigente dos direitos humanos, da liberdade e da não discriminação. Também se harmoniza com a Lei 8.662/1993, que orienta a atuação profissional na formulação e execução de políticas sociais, e não na imposição de condutas clínicas ou repressivas. Assim, o gabarito é a letra B porque o assistente social deve contribuir para superar preconceitos e perspectivas moralizantes sobre o uso de psicoativos, promovendo uma intervenção crítica, ética e centrada em direitos.