O conservadorismo marca o Serviço Social desde a sua gênese, para ajustar os operários à sociedade capitalista. O cariz conservador foi questionado quando o processo de Renovação teve início, culminando com o Congresso da Virada, em 1979. A partir de então, ainda que a profissão tenha assumido uma direção marxista, o conservadorismo não desapareceu, notadamente no exercício profissional do assistente social. O assistente social, em sua grande maioria, é um profissional assalariado, o que lhe imprime um caráter de subordinação perante o seu empregador. Essa condição de trabalho confere ao assistente social uma autonomia
- A)condicionada.
Errada, porque a autonomia do assistente social não é apenas submetida de forma rígida e completa ao empregador; há margem de decisão técnica no exercício profissional.
- B)total.
Errada, porque autonomia total não existe para o profissional assalariado, já que ele atua sob normas institucionais e limites organizacionais.
- C)residual.
Errada, porque a autonomia do assistente social não é desprezível ou quase inexistente; ela existe, mas de forma limitada pelas condições de trabalho.
- D)relativa.
Certa, porque o assistente social, como trabalhador assalariado, tem autonomia técnica, mas exercida de modo limitado e condicionado pela instituição e pela relação de emprego.
- E)exponenciada.
Errada, porque não há qualquer ideia de autonomia ampliada ou intensificada na condição assalariada da profissão.
Gabarito: D
O Serviço Social nasce, historicamente, muito ligado a valores conservadores e a uma atuação voltada a ajustar os trabalhadores à ordem capitalista. Com o processo de Renovação e, depois, com o Congresso da Virada, em 1979, a profissão passa a assumir uma direção crítica, inspirada no marxismo. Só que isso não apaga automaticamente o conservadorismo do cotidiano profissional. Ele pode continuar aparecendo nas práticas, nas escolhas técnicas e até nas formas de lidar com os usuários. A questão quer saber qual é o tipo de autonomia do assistente social, que trabalha, em regra, como assalariado. E aqui está o ponto central: quem vende sua força de trabalho não tem liberdade plena. O assistente social está inserido em instituições, segue normas do empregador, metas, rotinas e limites concretos do espaço institucional. Por isso, sua autonomia não é absoluta, mas também não é nula. Na doutrina do Serviço Social, especialmente na leitura crítica da profissão, fala-se em autonomia relativa. Isso significa que existe espaço para decisão técnica, julgamento profissional e uso de competências próprias, mas sempre dentro de condições objetivas de trabalho e de subordinação institucional. Em outras palavras: você decide, mas não decide tudo. A profissão pensa, mas não trabalha no modo “faço o que quero”. Por isso, o gabarito é a letra D. A autonomia do assistente social, como profissional assalariado, é relativa porque depende da relação com o empregador, das políticas institucionais e das condições concretas de trabalho. É uma formulação clássica na literatura da área e muito cobrada em provas que tratam da inserção da profissão na divisão social e técnica do trabalho.