Trabalhando com políticas sociais neoliberais, de acordo com Guerra (2007), ao assistente social são demandadas ações
- A)higienistas.
Errada, porque ações higienistas remetem ao controle moral e sanitário da pobreza, mas não sintetizam a crítica de Guerra ao tipo de demanda produzido pelas políticas neoliberais.
- B)progressistas.
Errada, porque o adjetivo progressista aponta para ampliação de direitos e avanço social, o que não combina com o contexto neoliberal descrito no enunciado.
- C)universalizantes.
Errada, porque ações universalizantes são o oposto da lógica neoliberal, que prioriza focalização e seletividade em vez de acesso universal.
- D)coletivas.
Errada, porque ações coletivas seriam mais ligadas à organização social e à defesa de direitos, e não à forma de demanda tuteladora destacada por Guerra.
- E)paternalistas.
Certa, porque Guerra (2007) identifica que as políticas sociais neoliberais demandam do assistente social ações de caráter paternalista, marcadas por tutela, controle e respostas compensatórias.
Gabarito: E
Quando o Serviço Social atua em políticas sociais neoliberais, o cenário costuma ser de cortes, focalização, seletividade e responsabilização individual. Em vez de ampliar direitos de forma universal, essas políticas tendem a oferecer respostas mínimas, fragmentadas e muito controladas, o que afeta diretamente o tipo de demanda feito ao assistente social. E aí entra a sacada da autora: o profissional é pressionado a operar mais como mediador de benefícios restritos do que como agente de ampliação de direitos. De acordo com Guerra (2007), nesse contexto surgem ações de caráter paternalista. Isso acontece porque o Estado e as instituições passam a tratar a população como alguém que precisa ser conduzida, tutelada e enquadrada, e não como sujeito de direitos. É aquela lógica do "ajuda aqui, controla ali", bem típica de políticas que aliviam a pobreza sem enfrentar suas causas estruturais. Por isso, o gabarito é a letra E. A demanda paternalista combina com a lógica neoliberal porque substitui a universalidade por atendimento seletivo, o direito por concessão e a participação crítica por tutela. Em resumo: o assistente social é pressionado a executar respostas compensatórias, muitas vezes moralizantes, em vez de políticas públicas amplas e emancipadoras. Se a banca puxa Guerra, vale lembrar essa linha crítica: o neoliberalismo enfraquece a proteção social e empurra o Serviço Social para ações imediatistas, controladoras e pouco transformadoras. Ou seja, menos direito social, mais "vamos resolver o caso". E é aí que o paternalismo aparece com força.