No Brasil, a chamada “guerra às drogas” se manifesta por meio do proibicionismo. O CFESS considera que essa política pública
- A)é coerente com a perspectiva da saúde coletiva em termos de repressão ao tráfico.
Errada, porque a perspectiva da saúde coletiva não se resume à repressão ao tráfico e prioriza cuidado, prevenção e redução de danos.
- B)incentiva a proteção integral da infância e da juventude.
Errada, pois a política proibicionista não incentiva proteção integral; ao contrário, costuma agravar violências e vulnerabilidades de crianças e युवens.
- C)contribui para a coerção indiscriminada e a militarização da vida social.
Certa, porque o CFESS critica o proibicionismo por produzir coerção generalizada, seletividade penal e militarização da vida social.
- D)desconstrói a ideia de uma política social antidrogas.
Errada, porque o problema não é desconstruir uma política antidrogas, e sim criticar um modelo centrado na repressão e não no cuidado.
- E)efetiva a redução dos danos sociais e de saúde causados pelas drogas.
Errada, pois o proibicionismo não efetiva redução de danos; essa é justamente a lógica alternativa defendida nas políticas de saúde.
Gabarito: C
A expressão "guerra às drogas" costuma aparecer no Brasil ligada a uma lógica proibicionista, isto é, a ideia de enfrentar o uso e o comércio de substâncias principalmente pela repressão e pelo controle penal. O problema é que, na prática, essa política não atinge só o tráfico: ela recai com força sobre territórios pobres, juventudes periféricas e populações já vulnerabilizadas. Por isso, o debate no Serviço Social e na saúde pública não trata a questão como simples "caso de polícia". O CFESS critica esse modelo porque ele amplia a coerção e fortalece a militarização da vida social. Em vez de priorizar cuidado, prevenção, redução de danos e atenção em saúde, o proibicionismo tende a produzir seletividade, violência institucional e estigmatização. Ou seja: muita repressão, pouca solução. A conta social fica pesada e, quase sempre, cai no colo de quem tem menos proteção. A perspectiva defendida pelo Serviço Social dialoga com a Reforma Psiquiátrica, com a lógica do SUS e com a ideia de redução de danos, que busca minimizar prejuízos à saúde e à vida sem reduzir a política pública a punição. Então, quando a questão pergunta o que o CFESS considera sobre essa política, a resposta correta é a que aponta para a coerção indiscriminada e a militarização da vida social. Em resumo: o gabarito C está correto porque traduz a crítica central ao proibicionismo, que transforma um problema complexo de saúde, assistência e direitos em uma agenda de repressão generalizada.