A centralidade na constituição dos sistemas de seguridade social, segundo Mota (2006), deve-se:
- A)à pressão dos usuários em conjunto com os profissionais;
Errada, porque a centralidade da seguridade social não é explicada pela pressão dos usuários e profissionais, mas pela dinâmica histórica do trabalho e da questão social.
- B)à nova morfologia dos movimentos sociais;
Errada, pois a autora não fundamenta a seguridade na forma dos movimentos sociais, e sim nas determinações vindas das condições e relações de trabalho.
- C)à universalização neoliberal dos direitos sociais;
Errada, porque a universalização neoliberal dos direitos sociais é uma distorção do debate, já que o neoliberalismo tende a restringir e focalizar direitos.
- D)ao trabalho, suas condições e relações;
Certa, pois Mota vincula a constituição dos sistemas de seguridade social ao trabalho, às suas condições e relações, base material da proteção social.
- E)ao reconhecimento das demandas sociais pelo Estado.
Errada, porque o reconhecimento estatal das demandas sociais pode ocorrer, mas não explica a centralidade da seguridade social na formulação de Mota.
Gabarito: D
Segundo Mota (2006), a seguridade social não nasce do nada nem de um gesto generoso do Estado: ela se organiza a partir das necessidades que aparecem no mundo do trabalho. Em outras palavras, quando o trabalho muda, quando as condições de vida e de proteção do trabalhador se deterioram, surgem pressões por saúde, previdência e assistência. É aí que a seguridade ganha centralidade. Por isso, a autora relaciona a constituição dos sistemas de seguridade social ao trabalho, às suas condições e às suas relações. O foco está na forma como o capitalismo organiza a produção, explora a força de trabalho e gera riscos e desigualdades que exigem proteção social. Não é uma ideia abstrata: é a vida material batendo na porta do Estado. A alternativa D está correta porque traduz exatamente essa base material e histórica da proteção social. Mota analisa a seguridade como resposta às expressões da questão social produzidas no trabalho, e não como simples resultado de demanda moral, boa vontade institucional ou modismos políticos. Em prova, guarde esta lógica: quando o enunciado falar em seguridade social na perspectiva crítica do Serviço Social, pense primeiro em trabalho, questão social e relações de produção. O resto costuma ser distração com roupa bonita.