Ao refletir sobre o Serviço Social na contemporaneidade, Fávero (2020) afirma que o cotidiano nos espaços laborais do assistente social está sendo majoritariamente marcado pela burocracia e pelas normativas legais, o que leva os profissionais à reprodução mecânica
- A)da teoria crítica.
Errada, porque a teoria crítica busca justamente desvelar as contradições sociais, e não a reprodução mecânica de rotinas burocráticas.
- B)da lógica da razão instrumental.
Certa, porque a burocracia e as normativas legais podem empurrar o trabalho para uma racionalidade voltada à eficiência e ao cumprimento formal, típica da razão instrumental.
- C)do aconselhamento psicossocial.
Errada, porque o enunciado não trata de aconselhamento psicossocial, mas da redução do trabalho a procedimentos burocráticos.
- D)do trabalho individualizado.
Errada, porque o foco não é a individualização do atendimento, e sim a mecanização do cotidiano profissional por normas e burocracia.
- E)da matriz sistêmica.
Errada, porque a matriz sistêmica é uma abordagem teórico-metodológica específica, não a lógica criticada no enunciado.
Gabarito: B
Na contemporaneidade, o Serviço Social vive uma tensão bem conhecida: de um lado, a exigência de respostas rápidas, protocolos, formulários e rotinas; de outro, a necessidade de leitura crítica da realidade social. Quando Fávero destaca que o cotidiano laboral do assistente social está marcado pela burocracia e pelas normativas legais, ela aponta para um ambiente em que o trabalho muitas vezes é empurrado para procedimentos automáticos, com pouca margem para reflexão crítica. Isso ajuda a entender por que a alternativa correta é a letra B. A lógica da razão instrumental é aquela voltada ao meio, à eficiência e ao cumprimento de metas e normas, deixando em segundo plano a compreensão ampla dos determinantes sociais e da finalidade emancipatória do trabalho profissional. Em vez de analisar criticamente a situação, o profissional pode acabar apenas preenchendo exigências institucionais, como se estivesse no modo “piloto automático”. No Serviço Social, isso é especialmente sensível porque o projeto ético-político da profissão exige mediação crítica, defesa de direitos e enfrentamento das expressões da questão social. Quando a prática fica reduzida à burocracia, há risco de o trabalho virar mera execução de rotinas administrativas, o que combina exatamente com a ideia de racionalidade instrumental. O problema não é existir norma ou lei, claro - elas são fundamentais -, mas serem tratadas como fim em si mesmas. Por isso, Fávero critica essa captura do cotidiano profissional por uma lógica que valoriza o procedimento mais do que o sentido social da ação. Em concursos, sempre desconfie quando o enunciado falar em burocratização, tecnicismo e reprodução mecânica: costuma ser a pista para a razão instrumental.