Com o envelhecimento progressivo da população, a demanda por cuidado e cuidador assume dimensões problemáticas, sobretudo em razão das múltiplas carências das famílias mais pobres sobre as quais recaem prioritariamente o dever de assegurar aos idosos seus direitos de cidadania. Do ponto de vista das políticas públicas, esse fenômeno constitui uma questão:
- A)privada, que demanda investimento focalizado na família, através de políticas de subsídio;
Errada, porque o cuidado com idosos em famílias pobres não é uma questão privada nem se resolve só com subsídio focalizado.
- B)pontual, capaz de ser respondida com ações de natureza técnica e compensatória;
Errada, porque o fenômeno não é pontual nem se enfrenta apenas com medidas técnicas e compensatórias.
- C)social, portanto de caráter político, que requer atenção privilegiada e investimento do poder público;
Certa, porque o envelhecimento com dependência e desigualdade social é uma questão social e política que exige resposta pública.
- D)geracional, que requer compromissos éticos com os idosos;
Errada, porque reduzir o problema à dimensão geracional não basta; o foco aqui é a proteção social e a responsabilidade estatal.
- E)política, que demanda tratamento em termos de reforma do Estado e mudança constitucional.
Errada, porque não se trata de uma reforma estrutural do Estado ou mudança constitucional como resposta direta e exclusiva ao problema.
Gabarito: C
Quando o assunto é envelhecimento da população, não dá para tratar cuidado com idosos como um problema apenas da casa de cada família. O aumento da longevidade, somado à desigualdade social, faz com que muitas famílias, especialmente as mais pobres, não consigam responder sozinhas à necessidade de cuidado contínuo, apoio material e acompanhamento. Por isso, a questão entra no campo das políticas públicas e da proteção social. Na lógica do Serviço Social, esse tipo de demanda é socialmente produzida: nasce das condições de vida, da organização da sociedade e da distribuição desigual de renda, trabalho e serviços. Então, não é algo pontual, nem um simples problema privado. Exige resposta do Estado, com rede de proteção, serviços, benefícios e apoio às famílias cuidadoras. É justamente esse o ponto da alternativa C: o cuidado com a pessoa idosa, em contexto de pobreza e sobrecarga familiar, é uma questão social e política, que requer atenção privilegiada e investimento público. Isso conversa com a Constituição Federal de 1988, que coloca a assistência social, a saúde e a proteção à velhice como deveres do Estado e da família, em regime de corresponsabilidade, e com o Estatuto do Idoso, que reforça a proteção integral e prioritária. Em outras palavras, a banca quer que você veja que não basta pedir "boa vontade" da família. Quando a realidade aperta, o cuidado precisa sair do improviso e entrar na agenda pública. A resposta correta é a que reconhece essa dimensão coletiva do problema.