A visita domiciliar ou entrevista no domicílio integra o trabalho do Assistente Social. É, entretanto, um instrumento cercado de críticas, dada a sua herança conservadora. O CFESS (2020) entende que a entrevista em domicílio faz sentido quando
- A)investiga casos de abuso ou violência domiciliar.
Errada, porque investigar abuso ou violência pode até ser uma situação em que a visita ocorra, mas isso não define, por si só, o sentido técnico da entrevista domiciliar no entendimento do CFESS.
- B)complementa e/ou aprofunda o estudo social.
Certa, porque a entrevista em domicílio se justifica quando complementa e/ou aprofunda o estudo social, com finalidade técnica e respeito à autonomia e aos direitos.
- C)acompanha o convívio de uma família.
Errada, porque acompanhar o convívio de uma família não é a finalidade central do instrumento e pode reforçar uma lógica de vigilância, criticada pela perspectiva profissional.
- D)é demandada por autoridade judicial.
Errada, porque a demanda judicial não transforma automaticamente o instrumento em algo eticamente adequado; o Serviço Social deve manter sua direção técnico-profissional e crítica.
- E)faz parte da rotina institucional.
Errada, porque ser parte da rotina institucional não basta para legitimar o uso da visita domiciliar; ela precisa ter finalidade concreta ligada ao estudo social.
Gabarito: B
A visita domiciliar, ou entrevista no domicílio, é um instrumento importante no Serviço Social, mas precisa ser usada com cuidado para não repetir práticas de fiscalização, controle ou invasão da vida privada. Por isso, o CFESS reforça que ela não deve ser feita como rotina mecânica nem como simples curiosidade sobre a vida da família. Ela precisa ter finalidade profissional clara e respeito à autonomia dos sujeitos. Na prática, a visita domiciliar faz sentido quando ajuda a qualificar a compreensão da realidade social da pessoa ou família atendida. Em outras palavras: ela pode servir para complementar informações, aprofundar o estudo social e entender melhor as condições de moradia, convivência, rede de apoio e vulnerabilidades. Assim, o instrumento deixa de ser “olhar dentro da casa” e passa a ser parte de uma análise técnica mais ampla. É exatamente por isso que o gabarito é a letra B. O CFESS (2020) entende que a entrevista em domicílio se justifica quando complementa e/ou aprofunda o estudo social, ou seja, quando tem finalidade técnico-profissional ligada à leitura da realidade e à garantia de direitos. O foco é produzir conhecimento para intervenção qualificada, e não vigiar a vida privada. Então, memorize a lógica: visita domiciliar não é caça ao detalhe, nem visita de conferência moral. Ela só se sustenta eticamente quando estiver a serviço do estudo social e da proteção de direitos.