A partir das análises marxianas, Lourenço (2016) registra que “o trabalho no sistema do capital representa a degeneração progressiva da saúde e da vida (...) provocadas pela precariedade das condições de trabalho e, por extensão, da totalidade da vida social”. A partir desta assertiva, a autora pensa que a Saúde do Trabalhador deve ser compreendida
- A)como centralizada nas políticas de proteção aos trabalhadores.
Errada, porque reduz a Saude do Trabalhador a uma ideia de protecao centralizada, quando o tema exige uma visao mais ampla e critica das determinacoes sociais.
- B)a partir das doenças e agravos ocupacionais.
Errada, porque doenças e agravos ocupacionais sao apenas parte do problema, nao esgotam a compreensao da saude ligada ao trabalho.
- C)num duplo sentido de concessão e conquista de direitos.
Errada, porque fala de direitos de forma abstrata e nao enfrenta o ponto central da questao, que e a ampliacao da analise para alem do espaco laboral.
- D)para além do ambiente e processo laboral.
Certa, porque a Saude do Trabalhador deve considerar a totalidade da vida social, e nao apenas o ambiente ou o processo de trabalho em sentido estreito.
- E)estatisticamente pelo perfil de morbidade no trabalho.
Errada, porque uma leitura apenas estatistica e morbidocentrada empobrece o tema e nao capta sua dimensao social e politica.
Gabarito: D
A Saúde do Trabalhador, na leitura marxiana trazida por Lourenço, nao pode ser reduzida a uma lista de doenças do expediente nem a um retrato da jornada dentro da fabrica. A ideia central e que o trabalho no capitalismo afeta a vida inteira do trabalhador, porque a exploração, a precarização e a organização social do trabalho repercutem no corpo, na mente, nas relacoes sociais e nas possibilidades de viver com dignidade. Por isso, a abordagem da Saúde do Trabalhador deve ir alem do ambiente e do processo laboral imediato. Ela considera os determinantes sociais da saude, as condicoes de vida, transporte, moradia, alimentacao, acesso a direitos e as formas de insercao no mundo do trabalho. Em outras palavras, nao basta olhar o posto de trabalho com lupa: e preciso enxergar o cenario inteiro em que aquele trabalhador vive. Essa leitura combina bem com a perspectiva da Reforma Sanitaria e com o SUS, que tratam a saude como direito social e como resultado de determinacoes sociais, e nao como algo restrito ao risco ocupacional. A politica de Saude do Trabalhador, inclusive nas normas do SUS, dialoga com vigilancia, promocao e prevencao, mas sempre com olhar ampliado sobre os processos de adoecimento. Assim, o gabarito D esta correto porque expressa exatamente essa ampliacao: a Saude do Trabalhador deve ser compreendida para alem do ambiente e do processo laboral, alcançando a totalidade da vida social que o trabalho capitalista atravessa.