Para Raichelis (2020), os diferentes espaços sócio-ocupacionais nos quais se inserem os assistentes sociais na contemporaneidade são caracterizados pelo tripé
- A)empregabilidade, pejotização, celetista.
Errada, porque empregabilidade, pejotização e celetista são formas de vínculo ou discurso do mercado, mas não o tripé conceitual apontado por Raichelis.
- B)cooperativismo, autonomia, concursos.
Errada, pois cooperativismo, autonomia e concursos não expressam a crítica da autora à precarização das inserções profissionais.
- C)estatutário, pejotização, estabilidade.
Errada, porque estatutário e estabilidade são características de alguns vínculos, mas pejotização não compõe o tripé descrito por Raichelis.
- D)terceirização, flexibilização, precarização.
Certa, pois terceirização, flexibilização e precarização sintetizam a forma contemporânea de inserção e deterioração das condições de trabalho do assistente social.
- E)uberização, público-estatal, quarteirização.
Errada, porque uberização, público-estatal e quarteirização misturam fenômenos recentes com uma categoria de espaço ocupacional, sem corresponder ao tripé da autora.
Gabarito: D
Raichelis, ao analisar os espaços socio-ocupacionais do Serviço Social na contemporaneidade, chama atenção para um cenário de forte reestruturação do trabalho. Isso significa que o assistente social vai encontrando vínculos mais instáveis, contratos mais frágeis e maior pressão por produtividade, como acontece em muitos serviços públicos e privados. O ponto central não é romantizar a carreira, mas mostrar que o modo de inserção profissional foi atravessado pela lógica do mercado e da gestão enxuta. Por isso, o tripé que melhor resume esse quadro é terceirização, flexibilização e precarização. Terceirização é quando o trabalho passa a ser mediado por outra empresa ou ente intermediador; flexibilização é o ajuste constante de jornadas, contratos e direitos para atender às exigências institucionais; e precarização é a consequência mais visível, com perda de estabilidade, direitos e condições dignas de trabalho. É o pacote completo da insegurança profissional, sem muita cerimônia. Esse debate dialoga com a crítica do Serviço Social à reestruturação produtiva e à ofensiva neoliberal sobre o trabalho. Na prática, a profissão não está isolada: ela sente as mesmas mudanças que atingem o conjunto da classe trabalhadora, embora com especificidades no setor público, no terceiro setor e no mercado privado. A literatura de Raichelis é muito usada justamente para marcar essa leitura crítica do trabalho profissional. Assim, a alternativa D está correta porque reúne exatamente os três elementos apontados pela autora para caracterizar os espaços sócio-ocupacionais contemporâneos. As demais misturam categorias de vínculo, modismos do mercado e termos que não formam esse tripé conceitual.