O assistente social atua em variados espaços ocupacionais, interagindo com diferentes profissionais e compartilhando saberes de outras áreas de conhecimento. Essa realidade, a depender do grau de organização ou institucionalização, pode vir a constituir trabalho interdisciplinar. O Código de Ética Profissional de Serviço Social trata nos seguintes termos a relação do assistente social com outros profissionais:
- A)veda a elaboração de pareceres conjuntos;
Errada, porque o Código de Ética não veda a elaboração de pareceres conjuntos; ao contrário, admite articulação com outros profissionais quando isso respeita as competências de cada área.
- B)define como dever do assistente social incentivar, sempre que possível, a prática profissional interdisciplinar;
Certa, pois o Código de Ética define como dever do assistente social incentivar, sempre que possível, a prática profissional interdisciplinar.
- C)estimula o trabalho interdisciplinar como forma de agilizar o atendimento ao usuário;
Errada, porque a interdisciplinaridade não é tratada como mero recurso para agilizar atendimento, mas como forma qualificada de trabalho articulado entre saberes.
- D)concebe o trabalho multidisciplinar como salto de qualidade na produção de novas práticas;
Errada, porque o código não concebe o trabalho multidisciplinar como salto de qualidade em novas práticas; essa formulação é conceitualmente imprecisa e não corresponde ao texto ético-profissional.
- E)define como direito do assistente social incentivar, sempre que possível, a prática profissional interdisciplinar.
Errada, porque o Código de Ética não coloca isso como direito, e sim como dever do assistente social.
Gabarito: B
A atuação do assistente social quase nunca acontece isolada. Na prática, você divide o espaço com psicologia, direito, pedagogia, saúde, administração e por aí vai. Quando esse trabalho em conjunto é bem organizado, com troca real de saberes e respeito às competências de cada área, ele pode se tornar interdisciplinar. E isso é importante porque o usuário não é "fatiado" por profissão: a realidade dele é una, complexa e pede respostas integradas. No Código de Ética Profissional do Assistente Social, a relação com outros profissionais não aparece como desconfiança ou isolamento, mas como abertura ao diálogo e à construção coletiva. Por isso, o código incentiva, sempre que possível, a prática profissional interdisciplinar. A ideia é somar conhecimentos sem apagar a identidade técnica do Serviço Social. A banca pegou exatamente esse ponto: não basta o assistente social trabalhar ao lado de outros profissionais; o código valoriza que ele estimule essa articulação. É uma postura coerente com o projeto ético-político da profissão, que aposta em trabalho articulado, defesa de direitos e atendimento mais qualificado ao usuário. Então, a chave da questão é esta: o Código de Ética não proíbe a atuação conjunta nem trata a interdisciplinaridade como simples eficiência administrativa. Ele a reconhece como uma prática profissional desejável, sempre que possível, e por isso o gabarito é a letra B.