No Brasil, no que concerne à saúde da população, os últimos anos têm sido marcados pela retirada paulatina do Estado no financiamento dessa política. Respaldada no Código de Ética Profissional e no Projeto Ético-Político, a relação do assistente social com os usuários, no âmbito da Saúde, deve
- A)propor rotinas diferenciadas para o fluxo de internação e de demandas espontâneas.
Errada, porque não faz sentido priorizar o fluxo institucional como eixo principal da intervenção; o foco deve ser o direito do usuário, não a logística interna.
- B)adaptar as demandas da população à rotina da instituição empregadora.
Errada, pois inverte a lógica ética da profissão: não é a população que deve se adaptar à instituição, e sim a intervenção que deve responder às necessidades sociais.
- C)instituir critérios de elegibilidade para racionalizar o atendimento.
Errada, porque criar critérios de elegibilidade para filtrar atendimento reforça seletividade e restrição de acesso, o que contraria o projeto profissional.
- D)estabelecer prioridades de ações e estratégias a partir da vida dos usuários.
Certa, porque a atuação deve partir da realidade dos usuários, definindo prioridades e estratégias com base em suas necessidades e direitos sociais.
- E)empreender programas que visem a resolutividade emergencial das necessidades dos pacientes.
Errada, porque reduzir a intervenção a programas de resposta emergencial produz assistencialismo pontual e não enfrenta as necessidades de forma crítica e integral.
Gabarito: D
A questão cobra a postura ética e política do assistente social na Saúde. Pelo Código de Ética Profissional (Lei 8.662/1993 em conjunto com o Código de Ética de 1993) e pelo Projeto Ético-Político do Serviço Social, o atendimento não pode ser guiado pela lógica da triagem excludente, da adaptação cega à instituição ou da mera contenção da demanda. O foco deve estar na defesa dos direitos, no acesso universal e na leitura crítica das necessidades reais dos usuários. Na prática, isso significa olhar para a situação concreta da população e construir, com base nela, prioridades de ação e estratégias de intervenção. Não é o usuário que deve se encaixar na rotina da instituição como se fosse peça de encaixe; é a atuação profissional que deve partir da vida concreta, das vulnerabilidades e das expressões da questão social. Esse é o ponto ético central da profissão na Saúde. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela traduz a perspectiva crítica e propositiva do Serviço Social: organizar o trabalho a partir das necessidades dos usuários, e não do interesse de reduzir demanda ou de impor barreiras de acesso. Em tempos de retração do Estado no financiamento da saúde, essa orientação ganha ainda mais força, porque o assistente social atua na defesa do SUS, da integralidade e da proteção social.