A matriz teórico-metodológica hoje hegemônica no Serviço Social, tendo como uma de suas referências a obra de Marilda Iamamoto, afirma que a criação das bases históricas da demanda profissional do assistente social se dá:
- A)a partir do momento em que o capitalismo monopolista exige que as formas tradicionais de caridade evoluam;
Errada, porque reduz a origem da profissão à evolução da caridade, o que é uma leitura assistencialista e não crítica do surgimento do Serviço Social.
- B)no período em que a classe operária demanda um profissional para atender às suas reivindicações;
Errada, porque a demanda não nasce da classe operária pedindo um profissional, e sim das necessidades de gestão da questão social no capitalismo.
- C)quando o Estado passa a tratar a questão social não só pela coerção, mas buscando um consenso na sociedade;
Certa, porque expressa a ideia de que o Estado passa a enfrentar a questão social também por meios de consenso e mediação, base histórica da institucionalização da profissão.
- D)parametrada pela benemerência da Ação Católica ligada ao empresariado;
Errada, porque associa a origem do Serviço Social a benemerência religiosa e empresarial, visão que não corresponde à explicação histórico-crítica de Iamamoto.
- E)determinada pelo tecnicismo do funcionalismo norteamericano parsoniano.
Errada, porque atribui a origem da profissão ao tecnicismo funcionalista norte-americano, que influenciou práticas posteriores, mas não explica sua base histórica de demanda.
Gabarito: C
A ideia central da matriz teórico-metodológica hegemônica no Serviço Social, fortemente associada a Marilda Iamamoto, é que a profissão não nasce da caridade espontânea nem de um suposto chamado moral para ajudar os pobres. Ela surge como resposta histórica a uma realidade bem concreta: a expansão do capitalismo e o agravamento da questão social, que passam a exigir do Estado e das instituições novas formas de intervenção. Ou seja, o Serviço Social se institucionaliza quando a sociedade capitalista já não consegue lidar apenas com repressão e força bruta. Nesse cenário, a questão social deixa de ser tratada só pela coerção policial ou pela pura filantropia, e passa a ser enfrentada também por mecanismos de integração, mediação e construção de consenso. É aí que o assistente social entra como profissional inserido na divisão sociotécnica do trabalho, atuando nas expressões da questão social. Por isso, o gabarito é a alternativa C. Ela traduz exatamente a leitura de Iamamoto: o Estado amplia sua atuação não apenas para conter conflitos, mas também para administrar tensões sociais e produzir consentimento, criando condições históricas para a demanda profissional do assistente social. As demais alternativas escorregam para explicações moralizantes, voluntaristas ou tecnicistas, que não correspondem à base crítica da profissão. Em prova, quando aparecer essa matriz, pense menos em 'bondade institucional' e mais em conflito social, capitalismo e intervenção estatal.